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Entrevista

50 anos de Zé do Caixão

Entrevista com José Mojica marins, criador do Zé do Caixão!

Entrevista

50 anos de Zé do Caixão

jenniffer.hoche • 20 de maio de 2013 • 19h30

Um sádico e cruel agente funerário, Zé do Caixão considera-se superior às outras pessoas ao seu redor. Talvez por isso não veja problema nenhum em manipular e explorar os outros para atingir seus objetivos. A este senso de superioridade, podemos somar uma descrença absoluta em forçar divinas ou profanas. Para Zé do Caixão só existem o aqui e o agora, e tudo deve ser feito segundo a sua vontade.

Talvez por isso mesmo sua história seja marcada por obsessão com a sua linhagem de sangue. Ele busca a “mulher perfeita”, para assim ser pai da sonhada “criança superior”. Mais do que perfeição física, Zé do Caixão busca por alguém intelectualmente superior. E que ninguém ouse ficar no seu caminho…

Criado pelo cineasta brasileiro José Mojica Marins nos anos 1970, Zé do Caixão é o protagonista de uma série de filmes de terror e até de uma HQ. Ícone do cinema trash, seus filmes chegaram ser proibidos durante a ditadura militar, sob a acusação de sadismo.

A Fnac conversou com Mojica sobre seu personagem, sua carreira e sobre o cinema de terror.

Neste ano, Zé do Caixão completa 50 anos. Como surgiu este personagem?

Outubro faz 50 anos do Zé do Caixão… Olha, em outubro de 1963 eu tive um pesadelo e apareceu o personagem. Eu ia fazer outro filme, já tinha feito outras coisas, mas desse pesadelo surgiu o , daí veio a ideia do À Meia-Noite Levarei Sua Alma”. Eu cheguei a fazer filme de faroeste, mas minha vontade mesmo era fazer terror. Nem pensava em ser o ator, procurei vários, mas ninguém topava fazer, porque eu era um anônimo. Daí, meu maquiador sugeriu: “Porque que não faz você?”. O Glauber Rocha e o Rogério Sganzerla me incentivaram a fazer o . Eu tinha as 2 unhas do polegar compridas, daí coloquei as outras postiças e acabei deixando elas crescerem depois. Assim começou o personagem e muita polêmica também.

Quando saiu o À Meia Noite”, um jornalista do Diário Popular fez uma crítica negativa, disse que o filme ia sumir, que era “fogo de palha”, que em três meses desapareceria e com isso já são 50 anos… Gostaria até de encontrar esse jornalista (risos).

O Zé do Caixão não imita nada de fora, é um personagem brasileiro. Não era um monstro desses típicos, mas tinha esse sadismo bizarro. Lá fora me chamam de Coffin Joe, tenho público na Europa, Estados Unidos… Lá fora eu sou muito mais cultuado que aqui, vou até para o Texas, vai ter um festival de 50 anos do Coffin Joe.


Quais filmes e diretores de terror você indicaria?

No momento não vejo ninguém. No passado, tinha Roman Polanski, com “O Bebê de Rosemary”, Hitchcock, Boris Karloff, que fez o “Frankenstein”, Bela Lugosi e Vincent Price, que inclusive tive a honra de conhecer num festival há tempos atrás. O ator fazia o Drácula e se apavorou com minhas unhas (risos).

Eu procurei um sucessor, fiz até anúncio na mídia há cinco anos. Foram inscritos mais de mil diretores, mas tudo era muito semelhante ao meu trabalho. Eu não queria semelhança, mas sim uma cabeça pensante. O Brasil é um país cheio de folclore e essa riqueza é pouco explorada. Infelizmente, o meu trabalho é muito mais compreendido fora daqui. Gostaria que houvesse um reconhecimento grande aqui, mas o Brasil não está preparado. O que tem é uma minoria muito pequena de fãs que são fanáticos.

A sua linguagem no cinema é o seu diferencial. Conte um pouco como foi construída a sua identidade na sétima arte.

Meu pai cuidava de um cinema, o Santo Estevão, na Vila Anastácio. Ele era zelador e eu com quatro anos já ia lá, subia na cabine e via Bela Lugosi, Boris Karloff… eu ficava doido com aquilo.Reparei que quando tinha cena de impacto, todas as mulheres se jogavam nos braços dos homens, pensei: “se fizer filme de terror, vou ter todas as mulheres nos meus braços” (risos). Eu já tinha uns 16 anos nessa época e praticamente morava no cinema. Tudo que era fita de terror eu via, depois contava os filmes para a garotada da rua e eles ficavam extasiados… Eu os colocava de graça lá dentro, dizia para meu pai que eles gostavam muito de mim, enfim, eu era popular entre eles.


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