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Entrevista

Danilo Beyruth fala sobre nova graphic novel

Quadrinista responsável por ‘Astronauta: Assimetria’ conta como é trabalhar com personagens tão queridos pelo público

Entrevista

Danilo Beyruth fala sobre nova graphic novel

jenniffer.hoche • 03 de fevereiro de 2017 • 09h20

O que os leitores podem esperar de Astronauta: Assimetria?

Como posso adiantar alguma coisa sem dar spoilers? (risos) É difícil… Bom, a história é uma continuação dos outros dois volumes do Astronauta (Magnetar e Singularidade), mas ao mesmo tempo também é uma história independente. Ou seja, se você não leu todos não tem problema, mas se você leu é uma experiência bem mais rica. Nessa terceira aventura, o Astronauta está em uma lua de Saturno, que tem atmosfera e outras condições que a fazem parecida com um planeta. E mais uma vez eu coloco o Astronauta em um confronto com as escolhas que ele fez durante a vida, que é a grande sina do personagem desde o gibi: o impulso de ir explorar o espaço versus a saudade que ele tem da Terra.

 

Saiba mais:

Fnac Paulista: Danilo Beyruth realiza sessão de autógrafos de Astronauta – Assimetria em fevereiro

 

Quais foram os maiores aprendizados que Magnetar e Singularidade trouxeram para você?

O Magnetar serviu para definir bem para o leitor a dicotomia desse personagem. Por exemplo, o Homem Aranha tem o poder e a responsabilidade, o Thor é um deus que vem para a Terra aprender a ser humilde… O primeiro álbum do Astronauta tinha essa função, achar a dicotomia desse personagem. Já o segundo volume tirou um pouco desse estudo psicológico sobre a personalidade dele e trouxe mais aventura, uma verdadeira expansão do universo dele. Já Assimetria é uma reflexão do personagem do que a vida dele poderia ter sido.

 

Além dos três quadrinhos do Astronauta, você desenvolveu outros projetos para a Maurício de Sousa Produções. Como é trabalhar com personagens tão queridos pelo público brasileiro?

É uma tremenda responsabilidade! Eu nunca recebi uma resposta ruim da MSP, mas eu me sinto pisando sobre ovos, porque são personagens que são praticamente o patrimônio brasileiro dos quadrinhos. Você pode ir do extremo sul ao extremo norte do País e todo mundo sabe quem são esses personagens e se identifica com eles. Ninguém para e pensa se a Turma da Mônica mora em São Paulo, no Rio ou em Manaus. Além disso, são personagens que tem origem no universo infantil, então é preciso cuidado para abordar alguns temas. As graphic novels do Astronauta são umas das mais adultas do selo, mas mesmo assim eu abordo temas adultos sem afastar o público infantil. Ele pode ter essas duas leituras.

 

Como foi o processo de criação e produção de Assimetria?

Já ao final do segundo volume eu mostrei para o Sidão (Sidney Gusman, editor da MSP) várias possibilidades de aventuras para o personagem. Algumas dessas sugestões inclusive estão em Assimetria. Quanto ao meu processo criativo, não costumo escrever um roteiro antes de desenhar: eu já vou criando as artes e a história vem vindo com ela. Quando a história se forma na minha cabeça, eu escrevo apenas um roteiro de acontecimentos e a partir daí eu começo a destrinchar a história pelas páginas do quadrinho. A MSP é muito receptiva. O tempo para a elaboração de um álbum como esse gira em torno de um ano, mas isso acontece porque eu faço esses trabalhos em paralelo com a atividade profissional que eu exerço no dia-a-dia. O primeiro e o segundo volumes foram feitos enquanto eu ainda trabalhava em agências de publicidade e esse terceiro já foi feito na transição da agência para a Marvel Comics.

 

O que nos leva à próxima pergunta! Como está sendo o seu trabalho na Marvel?

Eu participei do lançamento da Gwenpool, que é um personagem que se originou de um cosplay e acabou entrando para o time Marvel. Faz parte da família Deadpool, ou seja, são quadrinhos que quebram a quarta parede e falam com o leitor diretamente e tem uma pegada maior de humor. Também fiz uma história de Natal do Deadpool com o Gavião Arqueiro e mais algumas histórias de Deadpool e agora estou no Ghost Writer há cinco edições.

 

E como foi essa transição de agência para Marvel?

Eu queria sair de agência, mas eu sempre fui acostumado a escrever as coisas que eu desenho. Só que eu decidi fazer esse salto, porque não existe um plano de carreira para quem trabalha em quadrinhos. Não existe faculdade de quadrinhos, trainee… (risos) Então chega esse momento em que você decide que vai se dedicar a isso. É necessário. Está sendo muito bom pra mim, pois eu agora consigo me dedicar em tempo integral a treinar o desenho. Antes os quadrinhos entravam nas minhas horas vagas, agora eu tenho tempo para pensar melhor no que eu estou fazendo. Quando você enfim está fazendo o que você nasceu para fazer, é diferente; eu estou no meu lugar agora.