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Entrevista

Destino: livro novo

Maria Dueñas visita o Brasil e fala sobre seu mais novo romance

Entrevista

Destino: livro novo

jenniffer.hoche • 23 de setembro de 2015 • 17h35

Depois de encantar o mundo com O Tempo Entre Costuras e A Melhor História Está Por Vir, Maria Dueñas lança seu novo livro, Destino: La Templanza. Em passagem pelo Brasil para divulgação da nova obra, a autora espanhola conversou com o #UniversoFnac sobre seu processo criativo e o quanto seu trabalho anterior como professora universitária a ajudou na arte da literatura. Confira!

 

Seus livros se baseiam sempre em uma ampla pesquisa. Quanto tempo você demorou para escrever Destino: La Templanza?

A primeira etapa, que dura mais ou menos quatro meses, é o momento em que começo a buscar informações, tomar decisões sobre a pesquisa e sobre a história, construir os personagens… E de fato eu faço muita pesquisa para isso: busco documentos, leio livros, consulto artigos acadêmicos, jornais e revistas antigos, mapas, imagens, cartas, livros de viagem… Busco todo tipo de informação que depois me ajude a criar o contexto histórico dos meus livros.Depois de ter todo esse esquema mental pronto e ter reunido esse material documental começo a escrever: abro um documento em meu computador e digito “capítulo 1”. Passo aproximadamente um ano inteiro desenvolvendo a história. Em seguida, entro em um novo período, que dura dois meses, de correção e revisão, que dá bastante trabalho (risos). É o momento em que já começam a surgir dúvidas e que, por mais que você já esteja imersa na história a tanto tempo, você precisa ter segurança do que está falando.

 

Maria DueñasSua experiência como professora acadêmica certamente ajuda bastante…

Sim. O que faço é basicamente transferir essa experiência, usando as mesmas ferramentas e a mesma metodologia, para a elaboração de um texto de ficção. Então sou muito rigorosa com os dados com os quais estou trabalhando, tento consultar várias fontes para ter certeza de que minha história está bem sustentada. Ser professora acadêmica também me faz conseguir ficar muitas horas seguidas diante do computador sem ter necessidade de levantar para fazer um café, sair para fazer compras ou qualquer outra coisa; consigo manter meu foco. O trabalho acadêmico me ajuda inclusive nesse momento em que estou agora, de divulgação do meu trabalho: ter passado tantos anos na universidade, dando aulas para grandes grupos de alunos, participando de congressos e defendendo meus trabalhos em bancas me ensinou a falar melhor em público. Definitivamente a Academia me ajudou no ofício de escritora de todas as maneiras possíveis.

 

Você não dá mais aulas, certo?

Não, parei há cinco anos. O Tempo Entre Costuras foi escrito enquanto ainda dava aulas, mas um ano depois de sua publicação tive que parar, pois o sucesso do livro foi tão grande que eu precisava de tempo para comparecer a feiras, eventos literários, sessões de autógrafos, dar entrevistas… Como não consegui mais encontrar esse equilíbrio passei a me dedicar somente à literatura.

 

Como foi o momento em que você decidiu escrever ficção?

Minha vida acadêmica estava bem estável, já tinha conquistado o título de professora permanente, e minha vida familiar também estava tranquila, meus filhos já estavam crescidos. Fiz uma viagem para os Estados Unidos, para dar aulas como visitante em uma universidade e foi a primeira vez que me dei conta que estava com tempo disponível para fazer algo novo, mas sempre pensei que seria em paralelo com a vida acadêmica, nunca imaginei que uma coisa levaria a abandonar outra. Então comecei a pensar na história, em como me organizaria para escrevê-la. Comecei O Tempo Entre Costuras e o resto da história não é segredo para ninguém (risos).

 

Destino: La Templanza é seu primeiro livro com um protagonista masculino. Como foi criar esse personagem?

Bom, eu já tinha alguma experiência de quando escrevi meu segundo livro, A Melhor História Está Por Vir. A personagem principal é uma mulher, mas existem dois homens ao seu lado, Luis Zárate e Daniel Carter, que para mim não são personagens secundários. São co-protagonistas. Os leitores gostaram da maneira como criei os personagens e isso me deu segurança para, em meu terceiro livro, ter de fato um homem como protagonista central. Mas claro que as mulheres continuam sendo muito poderosas nesse livro também…

 

O que os leitores das suas obras anteriores podem esperar deste novo livro?

Essa obra possui os mesmos ingredientes dos meus livros anteriores, uma mescla entre ação rápida, cheia de intrigas, que faz com que o leitor queira saber o que vai acontecer depois, com personagens muito humanos, carismáticos. São histórias com homens e mulheres reais, com glórias e derrotas, alegrias e insatisfações. Além disso, também trago nessa obra cenários muito atraentes, como o México da segunda metade do século XIX, recém independente. Depois vamos à Havana, a última colônia do velho império espanhol e uma cidade muito próspera e fascinante. Em seguida temos as vinícolas do sul da Espanha e suas grandes famílias que exportavam vinho para o mundo todo. Então acredito que seja essa combinação entre ação dinâmica e envolvente, personagens humanos com os quais o leitor consegue se identificar e cenários que quase podemos ver de tão chamativos que fará os leitores se apaixonarem por Destino: La Templanza.

 

Além de uma pesquisa aprofundada e da vontade de contar uma boa história, acredito que você também sente que precisa passar uma mensagem para os seus leitores. No caso de Destino: La Templanza a mensagem seria de superação?

Sim. A mensagem é de superação frente às adversidades da vida; quando a vida nos dá um golpe e nos derruba, como encontrar a coragem dentro de nós para voltar a caminhar e buscar soluções. Creio que na verdade os três livros têm esse denominador comum.

 

Você esperava que seus livros tivessem tanto sucesso no Brasil?

Foi uma surpresa fantástica. Na verdade para mim já foi uma surpresa o sucesso que os livros tiveram na Espanha mesmo (risos). Eu sempre ouvi comentários de que a literatura espanhola não é tão conhecida no Brasil, como também a literatura brasileira não é tão popular na Espanha. Apesar de serem países de certa forma tão próximos nossas literaturas não conversam tanto. Então quando soube que o livro estava indo tão bem por aqui e que tinha tantos leitores foi uma alegria enorme.

 

Tem contato com seus leitores brasileiros?

Sim, pude conhecer alguns nas outras vezes que estive no Brasil, divulgando meus livros anteriores, mas muito pela internet, principalmente via Facebook. Todas as vezes que entro para dar uma olhada encontro algum recado de um leitor brasileiro!духовный центр возрождение