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Entrevista

Deus salve a América do Sul!

Ney Matogrosso relembra a experiência de abrir o Rock in Rio e também fala sobre a turnê Atento aos Sinais, a mais longa de sua carreira

Entrevista

Deus salve a América do Sul!

jenniffer.hoche • 01 de setembro de 2015 • 10h06

Você foi a primeira atração do primeiro Rock in Rio. Como foi a sensação de abrir o festival?
Como eu fui o “primeiro do primeiro” ainda tinham muitos erros, que foram acertados com o tempo. O principal deles, que eu notei imediatamente assim que subi no palco, foi que o som para mim não era bom, e quando eu vi o primeiro grupo estrangeiro entrar o som aumentou dez vezes! Então existia essa diferença de estrutura para brasileiros e gringos, mas hoje não é mais assim. Depois de me apresentar, eu saí do palco e fui direto para o camarote do (Roberto) Medina e falei com ele, e depois de mim vários outros artistas reclamaram da mesma coisa. Foi bem difícil mesmo, porque o som não tinha o volume necessário para um lugar daquele tamanho.

A escolha de ‘América do Sul’ para abrir o show foi especial…
Foi a música que eu achava mais adequada para abrir um festival no Brasil naquele momento. Eu peguei uma pena do gavião real, que é o maior gavião brasileiro e é sagrado para os índios, e coloquei na minha testa. Uma pena de gavião e só. Eu estava conectado mesmo com aquele momento.

Como foi o convite para participar do Rock in Rio? E sua preparação para o show?
Eu recebi uma comunicação de que o Roberto Medina queria falar comigo. Ele marcou uma reunião no escritório dele e eu fui; naquele momento ele me fez o convite e disse que gostaria que eu abrisse o festival. Não podemos esquecer que naquele momento eu estava com um show em cartaz num circo que lotava toda noite. Eu fiquei seis meses fazendo o show no Rio de Janeiro e mais seis meses em São Paulo. Era muito significativo, é muita gente! Acho que foi por isso que ele me convidou para fazer a abertura do Rock in Rio, porque era um show que estava em evidência no Brasil naquele momento.

 

 

Você acabou sendo alvo de objetos no palco, dos fãs que estavam esperando o Iron Maiden mais tarde…
Só no comecinho do show. As pessoas que estavam ali na frente estavam esperando o heavy metal e não a mim e esses foram os que tiveram uma reação quando eu entrei, mas foi uma coisa bem pontual e muito rápida. Eu percebi que não era a massa, mas sim aquelas duas ou três fileiras de pessoas que começaram a atirar ovos cozidos, que eu chutei de volta em cima deles. E pronto. Quando eu comecei a chutar de volta eles pararam, porque viram que eu não estava com medo deles.

Como era a movimentação nos bastidores?
Ninguém conversou muito com ninguém, ainda mais no primeiro dia de festival (risos). Era uma tensão constante, não tinha muito dessa coisa que acontece em bastidores de show. Pode ser que nos outros dias tenha tido, mas nesse dia não teve. E também gostaria de desmentir uma história: eu não xinguei nenhum artista. Imagina, eu não sou de briga ou de confusão. Houve um momento em que não podia ficar ninguém nos corredores porque alguém ia passar, mas isso nem aconteceu no dia mesmo do festival, foi durante os ensaios. Ah, vão encher o saco de outro, eu estou no meu país!

E agora você estará novamente no palco Mundo, no show comemorativo dos 30 anos do festival…
Sim, estarei lá. Vou cantar Rua da Passagem, que eu acho que tem tudo a ver com esse momento que o Brasil vive. Cantarei essa e Porque Que a Gente é Assim com o Frejat.

 

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Rock in Rio: 30 anos em 30 números

 

Você está viajando pelo Brasil com a turnê Atento aos Sinais. Conte um pouco sobre como está sendo essa experiência.
Essa turnê desse show está sendo a mais longa que eu já fiz. Já estou encostando em dois anos e meio, mas como ela vai se estender até abril do ano que vem vai passar de três anos. Foram shows por todo o Brasil, fora do país também, e algumas reapresentações em cidades por onde a apresentação já passou. Nisso já refiz algumas coisas, mas ainda tem muito que gostaria de fazer.

MARCOS HERMES_Ney Matogrosso, Citibank Hall SP 02 04 08_005Do começo revolucionário de Secos & Molhados ao lançamento do DVD Atento aos Sinais, o que soma quase quatro décadas de carreira, o que mudou musicalmente em você?
O princípio é o mesmo, o que me move é a mesma motivação. Mas acho que o tempo se encarregou de amadurecer essa coisa dentro de mim, porque eu fazia tudo muito espontaneamente, me jogava mesmo, na intuição sabe? Hoje em dia não, já é mais elaborado, apesar de isso não significar que esteja sob meu total controle o tempo todo. Quando eu entro no palco eu tenho controle, mas não é total, porque é ao vivo e qualquer coisa pode interferir. Também depende muito da receptividade da plateia: quanto mais eu percebo que eles estão receptivos, maior é a minha entrega no palco.

Você trabalha no repertório de Atento aos Sinais músicas da nova geração brasileira, como Criolo e Dani Black…
Sim, músicas deles e também de Vitor Pirralho, da banda Tono, da Zabomba… Tem bastante gente mesmo.

E como você vê esses novos nomes da música?
Olha, confesso que eu não ouço muita música, não. Escuto mais quando estou no carro, para tentar entender os rumos que o nosso mundo está tomando, mas eu recebo muitos discos. Quando eu vou preparar um novo álbum ou um novo show aí eu ouço tudo, ouço mesmo. Mas não tenho na minha cabeça essa classificação de “nova música brasileira”, eu vejo como a continuação de uma sequência de artistas que compões a história da música brasileira. Já ouvi muitas vezes que existe uma crise de criação, com a qual eu não concordo. Eu acho que a verdadeira crise é conseguir cruzar os obstáculos para tocar nas rádios. Gravar discos hoje em dia é muito fácil, qualquer pessoa pode gravar um disco, mas tocar em uma rádio é uma grande dificuldade.

Atento aos Sinais marca os seus 40 anos de carreira. Qual foi a principal lição que esses anos te ensinaram?
Olha, foi isso que me disseram (risos). Mas não fiz a turnê para comemorar essa data, calhou de que, no momento em que eu consegui reunir tudo e colocar o show de pé eu estava completando 40 anos de carreira. Para mim é mais um trabalho que eu estou apresentando. Quanto à lição, acho que os anos me tornaram uma pessoa menos ansiosa e mais tolerante, embora eu esteja em desacordo com quase tudo que eu vejo hoje no planeta Terra! A humanidade está passando por um processo e a gente não tem como fugir disso. Portanto, se não temos como escapar disso eu acho que está tudo certo, está caminhando para onde deve caminhar. Se será um fim trágico ou glorioso eu não sei; seja qual for é o certo, é o que a humanidade merece. Eu não acredito em castigo, não acredito em um Deus que castiga. Acredito em responsabilidade pelos atos. Nós colhemos o que semeamos. Eu vejo o mundo tão enlouquecido e não imagino que isso seja dedo de Deus, mas sim dedo de nós próprios.

 

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Entrevista: Carolina Porne

Fotos: Sebastião Marinho (Agência O Globo) e Marcos Hermes

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