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Entrevista

Pedro Bandeira lança primeiro livro para público adulto

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Entrevista

Pedro Bandeira lança primeiro livro para público adulto

Patrícia Cardozo • 10 de abril de 2017 • 12h33

Você já se perguntou se as histórias que contam sobre as mortes dos grandes nomes da música são de fato reais? Talvez esses fins sejam novos começos no olhar do maior investigador de todos os tempos, sir Sherlock Holmes, e seu fiel escudeiro, o doutor John H. Watson. Com essa ideia em mente, os amigos Pedro Bandeira e Guido Levi elaboraram um livro enigmático e divertido: Melodia Mortal (editora Rocco) traz o melhor da  tradição da literatura policial e torna-se a primeira obra de Bandeira voltada para o público adulto. Em entrevista exclusiva para a Universo Fnac, os autores falam sobre o processo de escrita.

capa Melodia Mortal

Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre mortes de famosos na visão de Watson e Holmes?

Guido Levi: “Sou amante de amante de música clássica e fã de histórias de mistério e suspense. Sempre imaginei criar um grupo de 12 médicos ingleses para analisar a causa-mortis de famosos compositores à luz das modernas descobertas da medicina. No entanto, foi ideia do Pedro apimentar a história propondo ressuscitar quem nunca morre, que são aqueles personagens amados por todo mundo, como Sherlock Holmes e o Doutor Watson.

Pedro Bandeira: Quem melhor do que um médico inglês do século XIX e um detetive intelectual que toca violino para ilustrar investigações sobre mortes misteriosas no mundo da arte?

Como foi o processo de escrita dessa obra a quatro mãos?

PB: Fiquei com a criação de aventuras sherlockianas assemelhadas à causa-mortis dos compositores escolhidos e o Guido responsabilizou-se pelas acaloradas discussões dos 12 médicos sobre os indícios que a História da Música deixou registrados sobre essas mortes. Foi a tuberculose que matou Chopin? Foi mesmo a birita que acabou com a vida de Beethoven? E Tchaikovsky? Foi envenenado? Ah, e é claro que, em meio a gargalhadas, cada um deu seus pitacos no trabalho do outro!

Melodia Mortal é escrito do ponto de vista de Watson, permitindo, portanto, que conceitos de medicina sejam compartilhados. Como trabalhar a linguagem para apresentar termos específicos ao público que não tem tanta familiaridade com eles?

GL: Sempre cuidei de facilitar a compreensão de meus leitores, mesmo em livros onde os profissionais de saúde seriam o alvo principal, como em Recusa de vacinas – causas e consequências. Em Melodia mortal, tudo não só é bem compreensível, mas principalmente divertido.

Entre vocês dois, Pedro é Holmes e Guido é Watson?

PB: Não! (risos) Nós toda hora trocamos de papéis: às vezes o Guido foi o paciente e eu o impaciente. Verdade que, como médico, o Guido já salvou minha vida algumas vezes, embora a recíproca dificilmente pudesse tornar-se verdadeira. Mas, juntos num livro, quem sabe ambos possam se tornar eternos? Senão, desejemos que essa eternidade possa ser ao menos passageira.

Qual a expectativa de vocês para o lançamento da obra?

GL: Esperamos que as investigações expostas nas páginas deste livro esclareçam os leitores, e que eles possam também divertir-se como nós nos divertimos escrevendo-as.

PB: Melodia Mortal é um livro diferente, difícil de ser enquadrado em alguma categoria literária específica. É uma novela de mistério? É. Esclarece os leitores de hoje sobre dúvidas irrespondidas da história da música? Esclarece. Pode agradar a médicos? Pode. Pode agradar a leigos? Também. Tem interesse para profissionais de música. Tem. É uma novela de humor? É e inclui até presenças como a de Bernard Shaw e de Sigmund Freud, ambos participando das ações de Holmes e palpitando com palavras que eles mesmos escreveram em suas obras.

Pedro, em especial, qual a sua expectativa em lançar seu primeiro livro voltado para o público adulto? Como foi ver o seu público crescer?

PB: Depois de quatro décadas de publicações, tenho leitores que se criaram lendo meus livros e hoje criam seus filhos usando os mesmo textos. Foram meus filhos leitores e agora seus filhos são meus netinhos leitores. Quanto à destinação de uma história para crianças, adolescentes ou adultos, isso depende do ponto de vista, pois todas as histórias, todas as realidades podem ser testemunhadas por qualquer um, seja um bebê ou um vovô. O que muda é o “como” cada um as testemunha. Se temos um grupo reunido, a vovó, os pais, os filhos mais velhos e um bebê de fraldas, e de repente a vovó começa a voar, todo mundo se surpreende, menos o bebê, acostumado a ver tudo pela primeira vez na vida. Para ele, por que as vovós não podem voar? Assim são as ideias. Se eu pretendo escrever uma novela sobre um casal, junto há anos, mas que já enjoou da convivência e vive brigando, naturalmente essa história só poderia interessar a adultos, não? Pois depende. E se eu resolver narrar as mesmas desavenças, mas sob o ponto de vista da filha adolescente do casal, que presencia suas brigas, sua violência verbal, e chora em desespero por ver separar-se uma relação que para ela é uma só? Talvez aí eu possa redigir uma novela juvenil, não é? Por isso, é claro que Melodia Mortal poderia agradar aos mais novos, mas a ausência de personagens juvenis ou de crianças, a falta da discussão dos conflitos dos jovens, a inclusão de referências culturais como o modo peculiar dos ingleses do século XIX falarem e agirem, as citações de livros e de filmes da cultura adulta na certa não pegariam pelo pé meus leitores mais tenros. Por isso, este livro para mim é como uma estreia.