Localização

Bem-vindo ao Universo Fnac! Para que sua experiência seja a melhor possível, defina sua localização:

Entrevista

Em busca do clique perfeito

Como aquecimento para a Maratona Fotográfica Fnac, batemos um papo com Fernando Costa Netto, fotojornalista e um dos jurados da competição

Entrevista

Em busca do clique perfeito

jenniffer.hoche • 30 de junho de 2015 • 11h53

A quarta edição da Maratona Fotográfica acontece este mês em todas as Fnacs do Brasil. O evento voltado para fotógrafos amadores se realizará simultaneamente em todas as cidades e tem por objetivo incentivar os novos talentos da fotografia. Basta se inscrever e participar! Os melhores fotógrafos receberão prêmios da Fnac e Nikon, além de ter sua foto exposta no fórum de eventos de cada loja de maneira itinerante ao longo do ano.

Para entrar no clima, confira abaixo o bate-papo com Fernando Costa Netto, integrante do corpo de jurados da Maratona Fotográfica 2015. O jornalista, fotógrafo e sócio-diretor da DOC Galeria dá suas dicas para quem quer aprimorar seus conhecimentos na área.

 

Fernando Costa Netto_2A próxima Maratona Fotográfica promovida pela Fnac acontece este mês. Você já atuou como júri no ano passado e neste ano também estará entre os jurados. Desta forma, tem algum conselho aos participantes?
As pessoas que estudam conseguem desenvolver uma fotografia melhor, mais atual. Elas conseguem se expressar melhor. Ou seja, estudar sempre, fazer cursos específicos, procurar saber quem são as pessoas que fazem e fizeram a imagem progredir. Pesquisar quem são os grandes nomes da fotografia no Brasil e no mundo e acompanhar o trabalho desses profissionais de perto. Ler muito e exercitar o olhar fotografando sempre, com qualquer equipamento, sob qualquer condição.
O fotógrafo bom é aquele que tem melhor aproveitamento, isto significa maior número de fotos boas versus fotos tiradas. É preciso ter boas referências e repertório, e para isso é importante estudar cultura geral. Aconselho como leitura materiais produzidos pelos beatniks Gregory Corso, William Burroughs, Lawrence Ferlinghetti e especialmente Jack Kerouac. ‘On the road’, ‘Big Sur’, ‘E os Hipopótamos foram Cozidos em seus Tanques’ e ‘Visões de Cody’ são obras maravilhosas. Também livros que tenham muitas imagens, ler sobre a vida de Orlando Villas-Bôas cria cenas no nosso imaginário, contribui para apuração do olhar fotográfico. E para citar mais um autor, Rizsard Kapucinsky, o meu preferido. Entre seus livros cito ‘Imperium’, ‘Ebano’, ‘A guerra do Futebol’ e ‘Xá dos Xás’, obras primas da literatura, leituras que transportam o leitor para outros continentes, livros totalmente cinematográficos.

Ao avaliar fotos de profissionais amadores, quais são os principais pontos observados?
Eu já tenho o olhar treinado por conta de minha experiência, e isso me habilita a fazer uma interpretação rápida. No segundo em que olho cada foto já faço um raio X de análise que envolve a observação do quadro escolhido pelo fotógrafo, a luz, o objeto, o tema e sensibilidade daquela imagem. Sem ideia, não existe boa fotografia. E isso não se compra. A técnica a pessoa adquire a partir de estudos.

Em sua opinião, qual é a importância da fotografia no mundo?
Acredito que o papel mais importante da fotografia seja o de documentação, e essa é a fotografia que conta história. Aquela que derruba ditadores, que denuncia o desmatamento. Em minha opinião, esta documentação feita com beleza é o tipo de fotografia mais nobre que existe. Não desmereço as contemporâneas, mas acredito que as fotografias mais importantes do mundo são aquelas que mudam o curso do planeta. Um simples `click` que pode mudar a história do mundo, e isto já aconteceu algumas vezes, como, por exemplo, a imagem icônica que mostra a menina vietnamita correndo nua após o bombardeio de sua vila em 8 de junho de 1972 por Nick Ut, fotógrafo da Associated Press. Também gostaria de citar o trabalho de Sebastião Salgado, que a partir do olhar das pessoas capta a força de suas imagens. Os sentimentos aparecem nos rostos de sem-terras, refugiados, garimpeiros, vítimas de guerra. Aproveito para indicar o documentário “O sal da terra” que conta um pouco da longa trajetória do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e apresenta seu ambicioso projeto “Gênesis”, expedição que tem como objetivo registrar, a partir de imagens, civilizações e regiões do planeta até então inexploradas. Ainda falando sobre fotógrafos brasileiros, um que me chama bastante a atenção é o Mauricio Lima, fotógrafo que percorre os conflitos do mundo como correspondente do New York Times. É um fotógrafo que hoje está construindo um trabalho bastante consistente de documentação.

ramallah,palestina

Ramallah, Palestina, 2001/ Fernando Costa Netto

Por quais de seus projetos você tem maior carinho? Por quê?
Viajei muito nos anos 80 até final dos anos 90. Sempre em pauta para alguma revista. Principalmente para a TRIP onde comecei no jornalismo. Faz parte do meu DNA a vivência em revistas e jornais. Os trabalhos que mais me causaram impacto emocional e que mexeram muito comigo são os registros de conflitos. Por exemplo, na Bósnia em 1993 e 94 quando vi e registrei muitas crianças sem escola, sem água, sem comida, vivendo numa região sob ataque. Outro trabalho que me marcou bastante foi na Palestina, também em conflito. Cobrir guerras é o sonho de quem trabalha com fotojornalismo, mas tem pessoas que conseguem e outras que não conseguem, pois é preciso ter estômago. Orgulho-me muitos desses trabalhos.

Poderia falar um pouco sobre os projetos atuais com os quais está envolvido e a sua relação com eles?
Tratamos todos os projetos com responsabilidade e carinho. Nosso guarda-chuva é a DOC Galeria|Escritório de Fotografia. Daqui saem os projetos, dois deles em especial são a Mostra SP de Fotografia, que aconteceu em junho na Vila Madalena em sua sexta edição. Trata-se de um evento anual de ocupação de bairro que envolve centenas de fotógrafos e pessoas ligadas a fotografia. E mais recentemente a Galeria Nikon, que abrimos em parceria com a marca onde nosso papel é contribuir com a gestão cultural. É o primeiro espaço do gênero fora do Japão e estamos muito honrados com isso e tratando com reverência este projeto. Quem se interessar, sugiro curtir as nossas páginas no Facebook, DOC Galeria e Mostra SP de Fotografia. Assim ficarão atualizados dos nossos cursos, exposições, eventos, etc.

NEPAL, 1995 027
Nepal, 1995/ Fernando Costa Netto
церьков возрождения в кирове