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Entrevista

Fotografia pulsante

Alexandre Socci, fotógrafo parceiro da Canon no Brasil e especializado em registros de aventura, comemora dez anos de carreira e fala sobre os desafios de registrar situações tão extremas

Entrevista

Fotografia pulsante

jenniffer.hoche • 03 de maio de 2016 • 15h22

A paixão sempre nos move. Alexandre Socci sabe bem disso. Ele sempre se interessou por esportes radicais e belas imagens; era esperado que seu trabalho como fotógrafo tomasse essa direção. Em 2016, Socci completa 10 anos de carreira repletos de histórias para contar e dicas para dividir. Uma delas aconteceu em 2014, quando a Fnac o recebeu para sua primeira exposição solo, bem como uma série de palestras sobre fotografia. As outras você confere no bate-papo a seguir.

 

Você se especializou em fotografia de aventura, principalmente em esportes. Podemos dizer que sua inspiração é a adrenalina?

Com certeza a adrenalina esta presente em meus trabalhos com a fotografia; é algo que me move e estou sempre em busca desses tipos de trabalhos, principalmente os que englobam natureza e esportes extremos.

 

Quando você se prepara para viajar fotografando, qual o seu equipamento essencial?

Por incrível que pareça eu carrego muitos equipamentos, não só de fotografia, mas também para a prática de alguns esportes, pois, na maioria das vezes, eu tenho que estar inserido no contexto da ação para poder tirar o melhor daquele esporte ou local. Muitas vezes eu carrego três malas de equipamento e uma mochila com roupa e pertences pessoais.

 

E qual equipamento você indicaria para um apaixonado por fotografia que vai viajar para clicar paisagens?

Um conjunto de lentes de grande angulares às teles, um bom tripé, uma boa mochila se for fazer caminhada e protetor solar (risos).

 

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Quais dicas você daria para alguém que quer se tornar fotógrafo profissional?

Primeiro é muito importante saber em qual área você quer trabalhar. A fotografia tem infinitas áreas e especializações, e nem todo mundo se encaixa bem em todas. Procure saber seu objetivo, mesmo que pra isso você tenha que “se arriscar” em diferentes ramos até se achar. Em segundo lugar é importante ser realmente um profissional e saber quanto cobrar por seu trabalho; não se venda por menos do que suas fotos valham. E por último, mas não menos importante, seja ético. O mercado precisa de pessoas mais éticas de forma geral e na fotografia não é diferente.

 

A fotografia é a união da técnica com a visão artística. Você acredita que as duas têm a mesma importância ou pesos diferentes?

No meu ponto de vista são pesos diferentes. Costumo dizer que a fotografia em geral é feita com base no registro; aplicar um toque de arte não é pra todo mundo. Unir as duas coisas é difícil, mas é o que faz os grandes nomes da fotografia existirem, e são pessoas como essas que me inspiram.

 

Neste ano você lança o seu primeiro livro. Como foi a elaboração desse projeto?

Uma grande amiga, Paola Miorim, que me encorajou a lançar um livro. Estou tendo a oportunidade de participar da elaboração e finalização desse livro, que na verdade será o primeiro de uma coleção que se chamará Fotografia Extrema. Estou muito feliz, afinal esse projeto também vem para comemorar os meus 10 anos como fotógrafo profissional. Estamos escrevendo juntos a história de uma das expedições que mais marcaram minha carreira até agora.

 

Qual viagem foi essa?

A expedição para Svalbard, região próxima ao Polo Norte, me marcou muito. Toda a logística e preparação para irmos ao desconhecido, tentar algo que ninguém nunca tinha tentado antes, com certeza marcou não só a mim, mas a todos os envolvidos.

 

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Uma paisagem interessante que você teve a oportunidade de fotografar foi o fenômeno da aurora boreal. Como foi essa experiência, desde sua preparação até o último clique?

Sem dúvida a aurora boreal é um fenômeno inesquecível. Por incrível que pareça essas fotos não foram planejadas: elas ocorreram durante nossa expedição ao Ártico, quando estávamos na Groenlândia. Tive a sorte de poder presenciar quatro noites consecutivas desse fenômeno e o resultado também estará no meu livro. Na pratica eu fiquei quatro noites sem dormir para registrar a aurora boreal. A temperatura variava de -10 a -20 graus, o que fez essa missão ser ainda mais difícil, mas valeu cada dedo e orelha congelada (risos).

 

Por Carolina Porne