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Entrevista

Leitura para os pequenos: bate-papo com Sam Shiraishi

Ler é um ponto mais do que necessário na educação de uma criança. Isso todos sabem. Mas como identificar o que é melhor para cada criança ler? Os livros que você lia quando pequeno são ideais? Como levar a atenção de alguém que está descobrindo o mundo para os livros? Ninguém melhor para ajudar com […]

Entrevista

Leitura para os pequenos: bate-papo com Sam Shiraishi

jenniffer.hoche • 13 de abril de 2011 • 19h04

Ler é um ponto mais do que necessário na educação de uma criança. Isso todos sabem. Mas como identificar o que é melhor para cada criança ler? Os livros que você lia quando pequeno são ideais? Como levar a atenção de alguém que está descobrindo o mundo para os livros?

Ninguém melhor para ajudar com essas questões do quem vive na pele o dilema. Sam Shiraishi (@samegui), mãe de Enzo, 10, e Giorgio, 8, e editora dos blogs A Vida Como A Vida Quer e Pequenos Leitores, respondeu algumas perguntas que o Blog Fnac fez sobre o assunto.

Blog Fnac: Na internet podemos encontrar dicas de livros para cada idade. Mas como identificar o que é melhor para uma criança específica?

Sam Shiraishi: Por ser uma leitora voraz desde criança, sempre imaginei que meus filhos gostariam de ouvir histórias. Quando Enzo, que faz 11 anos em maio, nasceu, passou a ser ninado com livros que eu tinha guardado do meu tempo de pequena leitora como O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (de Jorge Amado) e Longe é um lugar que não existe (de Richard Bach), obras que influenciaram suas primeiras palavras – águia, do livro de Bach, foi uma das primeiras. O segundo ouviu a mãe e o pai contarem clássicos infantis (da biblioteca de infância do meu marido) para o irmão desde a barriga e sempre foi atento com histórias longas e enredos complexos. Daí eu não acreditar que tem uma obra para cada idade, tem um estilo que cada família leitora vai descobrindo gostar mais e que permite ao coletivo aproveitar o momento da leitura para se aproximar, trocar ideias, reforçar laços e estimular o hábito de leitura desde cedo. O que podemos ganhar com a internet é a troca com outras famílias leitoras e obter sugestões de novas (ou antigas) obras que pais e filhos já “testaram” e curtiram.

BF: Quais os melhores autores de livros infantis hoje em dia? Por quê?

SS: Na escola meus filhos ainda têm como leitura mensal obrigatória (aquele que dita a “prova do livro”) obras que foram clássicos da infância dos seus professores, o que é natural, né? Pedro Bandeira, Ruth Rocha, Marcos Rey. Acho importante mesclar estes com novos como Fábio Yabu (que ficou conhecido com as Princesas do Mar, desenho do Discovery Kids, mas tem outras obras, duas das quais nossas favoritas atualmente: “Raimundo, Cidadão do Mundo”, e “Apolinário, o homem-dicionário”). Meu filho mais velho gosta muito também de Flávio de Souza e sua série “Que história é essa?” que reconta os clássicos com a visão dos coadjuvantes. Outros autores que merecem citação por trazerem um “fresh air” são Indigo e Ilan Brenman.

BF: Se uma criança não gosta de ler (ou não está acostumada), como introduzir o mundo dos livros na vida dela?

SS: No blog Pequenos Leitores, começou há algumas semanas um revival dos livros da série “Para Gostar de Ler” e está sendo um prazer ver as mães e os filhos comentarem que reencontraram alguma obra e estão aproveitando juntos. E eu curto tanto os achados em sebos (outro dia comprei Nosso Amigo Ventinho, de Ruth Rocha) quanto os lançamentos literários que recebo por conta do blog. O que quero dizer com as frases acima é que para formar leitores é importante que a leitura seja parte da rotina de consumo de cultura da família, não é uma parte isolada da vida da criança que os pais podem criar porque a sociedade diz que é bom, bonito, adequado. Eu leio porque minha mãe lia muitos livros e revistas, meu pai sempre gostou de jornais e gibis. Os pais dos meus pais liam muito e assim vai, um ciclo de formação. Então só quem nasceu em família de leitor pode gostar de ler? Claro que não! Mas o processo de formação dos pequenos leitores que se habituam a ler por prazer e não obrigação é muito melhor quando se dá de forma holística, quando a leitura “tem eco” no contexto social no qual a criança está inserida. Se o pai ou a mãe não têm o hábito de ler muito, podem aproveitar esta vontade de formar bons leitores e fazer mais do que comprar livros infantis para as crianças e deixar as obras disponíveis. Desligue a TV um pouco antes, sente com eles por 10 minutos toda noite e leia junto. Comece com obras curtas, para você se habituar, como quem começa a fazer um treino de atividade física. No dia seguinte, conversem por mais 5 minutinhos (por exemplo, à mesa, tomando café da manhã) sobre o livro, na volta da escola planejem por mais 3 minutos qual vai ser a história da noite e assim por diante. É um hábito e, como todo “costume”, ele nos “pega” com facilidade e em poucas semanas a família toda o terá incorporado.

BF: E como desviar a atenção dela para a leitura em mundo onde tantas outras coisas são feitas para chamar sua atenção?

SS: É preciso desligar um pouco as telas, propiciar um tempo para a criança sonhar, imaginar, não fazer nada. Aqui em casa a gente tem algumas regras bem claras: não tem computador nem videogame em dia de aula. Para muitos isso parece tirania e uma visão antiquada, mas eu sinto que, como os meninos ficam na escola das 13h às 19h, se eles ainda forem jogar virtualmente além de atender às tarefas de escola, não sobrará tempo para mais nada. E o brincar? E deitar no sofá ou na rede sem ter o que fazer, só olhando as nuvens no céu lá fora, quando poderão fazer coisas assim? Só sobra tempo se a gente abrir mão de alguma coisa, não é mesmo? Na verdade, ao ensinar que depois das 21h não tem mais TV e é hora de ler para o sono chegar mais fácil, a gente está ensinando a criança a priorizar. Um dia, lá na frente, quando tiver que se dedicar aos estudos mais avançados ou a um aperfeiçoamento profissional, esta capacidade de escolha (e de concentração, de foco) será muito útil. Como encontrar o limite de idade para cada criança? Por exemplo, este livro é para uma criança até três anos ou este é para adolescentes etc. Como disse no começo, não creio nesta classificação por faixa etária, tampouco nos livros para meninos, pra meninas, etc. Creio que facilita seguir orientações assim quando não convivemos com as crianças para saber do que elas gostam, mas os pais devem estimular a leitura do que as crianças gostam (se for carro, pode ser até comprar revistas de automóveis para meninos entre os 11 e 13 anos, por exemplo) e não deixar de inserir novidades para testar se a criança gosta. É como formar o paladar da criança com alimentação: especialistas dizem que é preciso provar várias vezes antes de dizer se gostou ou não gostou mesmo. Se a gente desanima na primeira recusa, como eles vão descobrir o que é bom? A tarefa de ensinar é nossa. Minha sugestão é testar, testar e se ajustar a cada fase da criança sem rótulos ou fórmulas. Se na sua cidade não tiver bibliotecas como a Biblioteca São Paulo (que foi criada no terreno do antigo Carandiru, na Zona Norte, e é um lugar excelente para leitura em família) ou livrarias onde as crianças podem fazer uma degustação das obras para “testar o paladar”, meu conselho é conversar com outras mães. Há fóruns na internet sobre o tema (como o http://www.facebook.com/pequenosleitores) e sempre tem um pai ou uma mãe dispostos a compartilhar sua experiência.

BF: Pela sua experiência, na hora de escolher temas para os livros infantis, o que é melhor?

SS: Buscar entre as matérias escolares, perguntar diretamente para a criança, buscar conselhos de educadores…? Acima de tudo é importante buscar temas que sejam do interesse da criança, que retratem sua visão de mundo naquela fase e que a família como um todo pode curtir, no melhor conceito de consumo de cultura mesmo, sem o peso de ser uma atividade obrigatória. Ler em família não pode ter aquele gosto forçado de “tomar óleo de fígado de bacalhau” para crescer forte e saudável, tem que ter o sabor da fruta preferida colhida no pé e aproveitada no final de uma tarde feliz com quem a gente ama. Tem que ser tão bom que funciona de forma espontânea e natural.digsalecheap escort malaysiaescort24option legiteasy binaryplusЦерковь Заготзерновский проезд 14