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Entrevista

Marina Carvalho: ‘Pai e mãe são duas metades que precisam se encaixar’

Marina sente a necessidade de colocar sua vivência e suas histórias no papel. ‘O amor nos tempos do ouro’ é seu sexto livro; em entrevista ela fala sobre inspiração e maternidade

Entrevista

Marina Carvalho: ‘Pai e mãe são duas metades que precisam se encaixar’

jenniffer.hoche • 03 de maio de 2016 • 14h10

Por Jenniffer Hoche

< Marina Carvalho participa de sessão de autógrafos dia 14/05 na Fnac Pinheiros – http://goo.gl/jtJO3C >

Nos últimos três anos você já publicou seis romances. Com dois filhos, como isso foi possível?

Eu me considero uma pessoa organizada, principalmente no que diz respeito a meus trabalhos. Se não fosse isso, é certo que não conseguiria administrar minhas funções. Meus filhos têm idades distantes: o João, de oito anos, estuda à tarde e ainda requer uma assessoria para fazer os deveres, se preparar para as provas; já o Hugo, com 12, é independente e praticamente faz tudo sozinho, o que ajuda bastante. Sendo assim, aproveito meus intervalos no colégio (sou professora e dou aula de manhã e em algumas tardes) e o horário em que meu caçula está na escola para escrever meus livros, além dos fins de semana. Parece corrido – e e´– mas nada que não dê para equilibrar. (risos)

Você já contou que escrevia desde pequena. Como percebeu que devera seguir com as palavras profissionalmente?

Eu sempre adorei lidar com as palavras e fui uma criança precoce no que diz respeito a escolhas para o futuro. Cedo percebi que minha profissão estaria atrelada ao mundo das letras. Então decidi cursar Jornalismo, porque, na época, era a única forma que encontrei para permanecer em contato com a escrita de modo profissional – ainda que eu preferisse a escrita mais criativa. Mas só quando me tornei professora de Língua Portuguesa, aproximadamente oito anos depois de formada na área de comunicação social, que vislumbrei a possibilidade de ser escritora, principalmente por influência de uma amiga e de alunos fanáticos por literatura juvenil.

Qual livro inspirou você a escrever para o público jovem?
Inconscientemente talvez tenham sido os livros do Pedro Bandeira, os da Sulema Mendes, os do Marcos Rey, histórias devoradas ao longo da minha infância e da adolescência. Mas admito que “Fazendo meu Filme”, da Paula Pimenta, foi o cutucão de que eu precisava para entrar nesse universo. Ao ver como os jovens gostaram de ler sobre uma brasileira comum e seus problemas juvenis, pensei: “Por que não?” Eu só necessitava de uma motivação para ganhar coragem.

Como professora de ensino médio e responsável pelo desenvolvimento intelectual de muitos adolescentes, qual a maior lição que você leva em conta na criação de seus filhos?
Penso que o excesso de exposição às redes sociais, o contato exagerado com os jogos eletrônicos e a grande quantidade de informações (a maioria vazia de sentido e conteúdo) têm criado uma geração de crianças e jovens insensíveis ao mundo ao redor, estressados, impacientes e, muitas vezes, desrespeitosos. Procuro transmitir a eles, na medida do possível, a visão de que todas essas coisas são superficiais e que o verdadeiro desenvolvimento, seja intelectual ou humano, só se faz com a convivência, com as relações pessoais diretas, com a busca de um conhecimento sustentado, real. Aprendi eu mesma que despejar conteúdo sobre a meninada não é sinônimo de formação. É preciso cuidar da inteligência emocional em primeiro lugar. E é o que procuro fazer, em casa e na escola.

Seu último lançamento foi apenas digital. E se os seus filhos quisessem ler apenas em tablets e e-readers?

Na verdade, foi o meu segundo, “Ela é uma fera”, releitura de “A megera domada”, de Shakespeare.
Bom, o Hugo já faz isso. Os livros didáticos da escola em que ele estuda são todos digitais, inclusive com banco de questões totalmente virtual e interativo. Portanto ele tira de letra a leitura nesses dispositivos. Fico um pouco incomodada, porque sou uma defensora ferrenha dos livros impressos. Mas acho que, no fundo, é coisa de gente de outra geração, no caso, eu. (risos)

Se fosse descrever a mãe Marina Carvalho, como seria?
(Risos altos) Ah, sou rígida, disciplinadora. Claro que tenho meu lado amoroso, confidente, mas me preocupo muito com a formação emocional dos meus filhos. Desejo, acima de tudo, que eles cresçam e se tornem adultos responsáveis, autônomos, éticos, preocupados com causas importantes. Isso não impede que eu curta umas sessões de bobagens com eles, como ficar escutando piadas bobas ou disputando batalhas de Bayblades.

Como você enxerga o papel do pai na criação dos filhos?
Pai e mãe são duas metades que precisam se encaixar. Ainda que os papéis de homens e mulheres não sejam mais tão distintos como antes, normalmente é a mãe que administra a vida dos filhos. Ainda bem que aqui em casa sabemos dividir bem, o que torna as funções de criar e educar as crianças bem mais democrático e prazeroso.

‘O Amor nos Tempos do Ouro’, disponível em maio na Fnac ;-)

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