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Entrevista

Maurício Noriega: “narração é dom, coisa de gênio”

Narrador esportivo participa de bate-papo na Fnac Morumbi

Entrevista

Maurício Noriega: “narração é dom, coisa de gênio”

jenniffer.hoche • 14 de fevereiro de 2017 • 09h12

O próximo Futencontro será sobre as diferenças de narração para TV e rádio. Você já fez as duas coisas: como você analisa essas diferentes maneiras de apresentar um jogo?

Cada veículo tem sua linguagem. O rádio não tem imagem, precisa ser mais descritivo, muitas vezes até é fantasioso. Os grandes narradores do rádio eram mestres em “pintar” as jogadas dos grandes jogadores. Muitas vezes elas pareciam ter sido mais bonitas na narração de rádio do que de fato tinham sido quando a gente via a imagem. A TV trabalha com a redundância entre imagem e som. É outra técnica, outro ritmo, outra linguagem. A TV denuncia o exagero.

 

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Como é a sua preparação antes de narrar um jogo?

A preparação é frequente. Sempre estamos estudando, vendo jogos, apurando. Especificamente para um jogo trabalho mais em cima das informações das equipes, vejo os últimos jogos, analiso escalação, mudanças, jogadas ensaiadas, bola parada, posicionamento. Para grandes eventos como Copa do Mundo a preparação é mais intensa e abrangente.

Ser filho de um narrador esportivo deve ser muito inspirador. Seu interesse pelo esporte veio do seu pai?

Meu saudoso pai, Luiz Noriega, me levava a todos os jogos e eventos que narrava. Eu vi grandes nomes do esporte, de praticamente todos os esportes, desde muito cedo. Certamente isso teve muita influência, além do fato de eu acompanhá-lo à redação, essas coisas. Mas ele sempre foi muito claro sobre os problemas e dificuldades da profissão. Ele era ponto fora da curva. Foi importantíssimo no rádio, pioneiro da TV, uma voz espetacular, poderosa, linda. Tinha domínio total do vídeo, dicção perfeita e um senso incrível de jornalismo e notícia. Também pratiquei muito esporte, fui atleta, joguei voleibol em grandes clubes, isso tudo ajudou.

Você já escreveu cinco livros, sendo dois deles voltados para o público infanto-juvenil. Como foi essa experiência?

Três deles foram projetos mais biográficos e os dois infanto-juvenis eram parte de um projeto que infelizmente não foi adiante por questões da editora. A ideia de fazer textos curtos para jovens que se interessam por esporte e, no caso, futebol, era muito bacana. Uma linguagem mais rápida, direta, objetiva. Fazer os livros me deu muito trabalho e também muito prazer.

Que conselho você daria para alguém que deseja ser narrador de esportes, seja na TV ou no rádio?

Narração é dom. É talento, coisa de gênio. Narradores são pessoas dotadas de capacidade especial. Não exagero quando digo isso. É muito, muito difícil narrar um jogo, um evento ao vivo. Narrar bem é para poucos. É preciso técnica, preparo, cuidados com a voz e a respiração, muito conhecimento, ter o tempo perfeito. Quem narra, escuta às vezes 6, 7 vozes diferentes durante uma transmissão e não pode parar de falar enquanto escuta. Acho que é mesmo um dom que pode ser aperfeiçoado. Mas dificilmente ensinado.