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Entrevista

“Meu pai sempre me pediu para gravar um ‘CD de sambão’”

Luciana Mello lança o disco “Na Luz do Samba” com nova turnê e sessão de autógrafos na Fnac Morumbi no dia 21/10. Em entrevista exclusiva, a artista fala mais sobre seu novo projeto

Entrevista

“Meu pai sempre me pediu para gravar um ‘CD de sambão’”

jenniffer.hoche • 18 de outubro de 2016 • 10h42

Como surgiu ‘Na Luz do Samba’?

Era um projeto que eu queria fazer há muitos anos. Meu pai sempre falava pra mim “filha, você tem que gravar um CD de sambão!” (risos). Em 2009 eu gravei um DVD com o meu irmão, chamado O Samba Me Cantou, um projeto que reuniu sambas que nos influenciaram, composições do meu irmão e meu pai chegou a participar desse trabalho, mas sempre cobrando um CD meu. Mas sempre acontecia alguma coisa que adiava esse plano: um novo disco, o nascimento da minha filha… Só que eu acredito que as coisas acontecem no momento exato que é para acontecer. Eu nunca coloco a carroça na frente dos bois. Logo depois que meu pai faleceu eu pensei “poxa, nada mais justo do que tirar esse projeto do papel em homenagem a ele”.

 

Como foi selecionar as músicas que fariam parte desse projeto?

Sempre acho a parte da escolha do repertório a mais complicada do projeto, mas também é a mais legal. É nesse momento que você vai dar a cara que o disco vai ter. Revisitei algumas obras do meu pai, coisas inclusive que eu já tinha em mente que queria gravar. “Clementina” é uma delas: ele gravou na década de 1980 e eu sempre gostei dessa música, tanto que eu já tinha pensado em colocá-la em outros discos meus. Mas agora era a hora certa para ela. São tantos sambas incríveis que os brasileiros já criaram que daria para gravar mais uns 20 discos desse se eu fosse colocar tudo o que gosto! (risos) É um processo demorado, trabalhoso, mas muito bom.

 

O disco também conta com uma participação muito especial: sua filha, Nina. Como foi tê-la com você no estúdio?

Foi a coisa mais emocionante; ela cantou comigo com a mesma idade que eu cantei com o meu pai. E ela que escolheu a música: enquanto eu estava selecionando o repertório do disco, ela já ficava cantarolando essa música e me perguntando “mãe, você não vai gravar essa música?” até que eu disse sim e a chamei para cantar comigo. As crianças são muito sinceras; se aquela música bateu de uma forma tão forte na minha filha, é essa mesmo que eu vou gravar!

 

A turnê também está prestes a começar! Como estão os preparativos para os shows? Pode nos contar um pouco como será o espetáculo?

Vamos começar por São Paulo (26/10, no Teatro Net) e depois quero seguir pelo Brasil inteiro, pelo mundo inteiro! O espetáculo terá basicamente as músicas desse disco, mas também outras canções que foram sucesso, que as pessoas gostam e que sempre me pedem para cantar. Às vezes eu até esqueço que tenho uma música e de repente me pedem para colocar no repertório de volta! Só que o foco é apresentar o disco mesmo.

 

Dentro do samba, quem você considera as suas maiores influências?

Alcione, com certeza, e foi uma grande alegria tê-la comigo nesse disco. Zeca Pagodinho também, Arlindo Cruz, que vai participar do show no dia 26, Jorge Aragão, Leci Brandão, também uma grande referência… Nossa, tem muito gente do samba e da música brasileira que eu sempre gostei.

 

Estamos comemorando o centenário do samba. Como você vê o gênero musical relacionado à cultura brasileira?

O samba está totalmente ligado à nossa cultura; não podemos deixar o samba morrer, como já cantava Beth Carvalho. Se depender de mim, isso nunca vai acontecer! (risos) De mim e de muita gente que cresceu no samba. É um ritmo que até outras pessoas tentam tocar, mas a ginga do brasileiro é insubstituível. O mundo associa o samba ao Brasil. E as escolas de samba então? Pessoas que vivem por ele durante o ano inteiro; acaba Carnaval, começa Carnaval e o pessoal ali, trabalhando. O samba inclusive movimenta a nossa economia, leva o nosso nome para fora do País. É um ritmo que fez parte da minha carreira e da minha vida.

 

Depois de seis discos solos e uma vida inteira ligada à música, quais são os maiores aprendizados que os palcos te deram?

Eu sinto que aprendo todos os dias; cada show é um show, cada situação é uma situação. Às vezes em diferentes turnês você faz quatro ou cinco shows na mesma cidade, no mesmo teatro, e todos são diferentes. Eu trabalho muito com a energia do público, a mensagem que eu quero passar para eles e o que eles me mandam de volta, e o público sempre muda. A música é isso, trabalhar com generosidade, com o coração. São 30 anos de palco, aqui e fora do Brasil, todos cheios de aprendizados, pois foram cheios de novas pessoas, do público aos produtores, músicos e outros artistas.

 

Por Carolina Porne