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Entrevista

Papo de Camarim, com André Vianco

André Vianco fala sobre seu mais recente livro, Dartana (Fábrica 231), e as diferenças entre escrever para os meios audiovisuais em relação aos livros, que já acumulam centenas de fãs

Entrevista

Papo de Camarim, com André Vianco

jenniffer.hoche • 30 de janeiro de 2017 • 16h58

DartanaComo foi a concepção de Dartana, desde os primeiros rascunhos até o texto final?

Eu nunca recebi tantas mensagens ao mesmo tempo de pessoas que gostaram de um livro meu como tem acontecido com Dartana. E eu estava ansioso por esse retorno, porque ele é tão diferente dos meus outros livros, que eu realmente queria saber o que as pessoas iam achar dele, e estou bem feliz com essas respostas. O livro veio de uma fusão de coisas; escritores são assim, uma antena parabólica. De repente me veio essa ideia de um mundo em que as pessoas não detinham conhecimento e veem através do sagrado e da metafísica uma possibilidade de se conectar com esse conhecimento. A única esperança para mudar isso é o nascimento de um deus guerreiro, que libertaria o conhecimento para os seus seguidores. Dartana foi sem dúvidas o livro que eu levei mais tempo para escrever; foram quatro anos de trabalho, mas fiquei muito satisfeito com o resultado final. Normalmente eu escrevo um livro em seis meses, então foi bem atípico.

 

O universo fantástico tem ganhado cada vez mais leitores. Por que você acredita que isso acontece?

Acredito em duas frentes: eu não subestimo meu leitor, eu conto histórias pra valer, para adultos, e eu só escrevo histórias pelas quais eu sou apaixonado. Meu leitor já sabe disso, que ele vai encontrar em meus livros histórias bem acabadas, grandes aventuras. Os livros de fantasia não são só mais um livro, e os leitores de fantasia não são qualquer tipo de leitor.

 

Em novembro você participou de um encontro de fãs na Fnac Morumbi que foi um grande sucesso. Como foi esse dia para você?

Eu gosto muito de estar na Fnac, e a possibilidade que vocês nos dão de estar perto dos nossos leitores é incrível. Apesar de não ter sido exatamente uma noite de lançamento, o público foi grande, a loja estava lotada! Fiquei bem surpreso e bem feliz.

 

Além de livros, você também escreve para cinema, teatro e televisão. Quais as maiores diferenças e dificuldades de escrever para cada meio?

A literatura é muito mais livre: é você na frente do editor de texto escrevendo. Aliás, qualquer papel serve para começar a montar uma história. Trabalhar com o teatro ou o audiovisual também pode começar dessa forma, mas quando o projeto começa a ser produzido de fato a coisa muda. A partir desse momento, não é mais só você o dono daquela história: eles envolvem grandes equipes, com suas ideias e necessidades. Outra coisa que muda muito é a linguagem; lidar com as palavras em forma de diálogo no audiovisual é totalmente diferente de uma história contínua como é um livro. Quando alguém escolhe ler o seu livro, ela cria uma relação com a obra, que vai do começo até o final. No audiovisual você precisa reconquistar constantemente o seu expectador, chamar sua atenção. Criar essa conexão é mais difícil.

 

Que conselho você daria para alguém que quer escrever um livro?

Leia muito. Seja um leitor incansável, a leitura é a comida do escritor. Se você não lê, você míngua.

 

Quais autores te inspiram e quais livros você indicaria como bons presentes?

Nossa, isso renderia horas de conversa! (risos) Gosto de escritores que vão fundo na arte de escrever: Ignácio de Loyola Brandão, Henry James, Victor Hugo… Na minha cabeceira tem sempre um livro do Theckhov. E recentemente eu li o Sobre A Escrita, do Stephen King. Muita gente já havia me indicado esse livro dele, que não é uma ficção, e eu comecei a ler, mas precisei parar. Recentemente ele me acompanhou por uma semana de leitura e eu gostei muito.

Por Carolina Porne