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Entrevista

“Por que as pessoas querem ditar qual é o lugar da mulher?”

Patrícia Lages lança seu novo livro, “Lugar de Mulher É Onde Ela Quiser”

Entrevista

“Por que as pessoas querem ditar qual é o lugar da mulher?”

jenniffer.hoche • 08 de março de 2017 • 08h31

Você é uma mulher multitarefas. Como organiza seu tempo para conciliar suas diferentes atividades?
Hoje já não é suficiente ter uma única função e limitar-se a ela. No passado, por exemplo, um gerente podia se limitar a gerenciar sua área de trabalho, pois dispunha de uma secretária que datilografava suas cartas, cuidava de seus compromissos e organizava sua rotina de trabalho. Hoje, um gerente precisa, além de cumprir sua função principal de gerenciamento, atender a todas as tarefas acessórias que a permeiam, pois a secretária não está mais à sua disposição. Diante dessa realidade, o profissional de sucesso dos nossos dias é aquele que consegue se sair bem no maior número de tarefas que sua profissão demanda. No meu caso, como jornalista, minha função é me comunicar e, se eu não acompanhar as novas formas de comunicação vou acabar ficando para trás. Não basta escrever livros, preciso me comunicar bem no meu blog (que pede uma linguagem diferente), no meu canal do YouTube, no programa de rádio e no de televisão. São áreas diferentes, mas que complementam o meu trabalho e eu tive que me adaptar e desenvolver minhas habilidades em cada uma delas. Creio que há duas palavras-chave para quem quer ser bem-sucedido hoje em dia: adaptação e organização. Quem não for adaptável em um mundo onde tudo muda em alta velocidade e não for organizado o suficiente para não se atrapalhar em meio a tantas mudanças e tarefas, poderá acabar se perdendo pelo caminho.

Como foi o processo de produção do livro? Qual foi o seu impulso para escrevê-lo?
“Lugar de mulher é onde ela quiser” é meu quarto livro e, cada um nasceu e se desenvolveu como um filho: personalidade própria, processos de criação diferentes e desafios novos. Posso dizer que ser escritora é estar aprendendo sempre e que não existe uma fórmula para se criar um livro, ele simplesmente nasce! O “Lugar de mulher” não nasceu de um impulso momentâneo ou por querer surfar na onda de algum “assunto do momento”, mas sim, com o objetivo de responder um questionamento que sempre tive: por que as pessoas querem ditar qual é o lugar da mulher? Por que, ao longo de toda a história, a mulher sempre teve seu lugar predeterminado pela sociedade, família ou qualquer outra pessoa? Desde o antigo “lugar de mulher é na cozinha” até o moderno “lugar de mulher é no mercado de trabalho”, alguém está sempre determinando o nosso lugar como se nós não fôssemos capazes de escolher. E por que colocar todas as mulheres em um único “pacote”? Nós somos diferentes, por isso, temos expectativas diferentes e isso não tem nada a ver com estar no lugar certo e não no errado. Se você quer ficar em casa e cuidar de seus filhos enquanto a sua vizinha quer pilotar um avião, será que ela está certa e você errada? Claro que não! Foi tão prazeroso desenvolver esse estudo e transformar em um livro prático que o processo foi relativamente rápido: um ano desde a ideia até o manuscrito final. Mas o tempo de organizar toda a pesquisa e escrever efetivamente foi de quatro meses.

 

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Você diferencia no livro empreender de ter o seu próprio negócio. Como é possível empreender no seu dia a dia?
Há pessoas que são donas de suas empresas, mas não são necessariamente pessoas empreendedoras, ao passo de que há muitos profissionais no mundo corporativo que possuem características empreendedoras. No primeiro capítulo do livro explico que empreender é muito mais do que simplesmente trabalhar, pois é ter um estilo de vida onde você está em primeiro lugar e o trabalho é um meio de realização pessoal, antes de ser uma forma de pagar suas contas e apenas sobreviver. Se você quer isso para si e está disposto a pagar o preço de se comprometer a ser melhor, de estar sempre evoluindo e de fazer o que for necessário para não ser mais um rosto na multidão, então empreender tem tudo a ver com você!

Quais as características principais de uma empreendedora?
A principal característica é o amor pelo que faz. E não se deve confundir paixão com amor! A paixão é aquele sentimento avassalador que move a pessoa a fazer algo sem pensar muito bem e sem medir muito as consequências. Essa força, apesar de impetuosa no início, não perdura com o tempo e nem diante das adversidades. Já o amor é aquele que começa aos poucos, que vai se formando e que, embora haja dificuldades, problemas e diferenças, em vez de diminuir, vai aumentando. Ter amor pelo que faz é como ganhar a vida brincando. Quando encontramos um trabalho que não tem cara de trabalho e que nos sentimos realizados a cada dia, então encontramos o “nosso lugar” e o crescimento financeiro será consequência.

Qual é o erro mais comum que uma empreendedora iniciante pode cometer? E qual a maneira mais rápida de solucioná-lo?
No capítulo 12 do livro, falo sobre os dez principais erros que prejudicam e, às vezes, até dão fim ao empreendimento, mas para destacar um, bem atual, seria empreender apenas por necessidade. Acontece muito com aquelas pessoas que perderam o emprego, mas têm que continuar pagando as contas até achar alguma “coisa melhor” para fazer. Essas pessoas veem o empreendedorismo apenas como um tapa-buraco, algo provisório em um momento de aperto e, com isso, não se empenham, não se comprometem e não colocam toda a força que um novo empreendimento requer. A maneira de solucionar é, antes de mais nada, conhecer a si mesma e descobrir o lugar em que deseja estar e, depois, planejar como chegar lá.

Você já perdeu um negócio próprio. Quais foram os maiores desafios e aprendizados que essa experiência te trouxe?
O maior desafio, no meu caso, foi mudar totalmente de área, pois saí de um cargo executivo em uma editora binacional e fui para o comércio atacadista, algo que eu nunca havia feito e não tinha nenhum conhecimento. O maior erro foi subestimar a nova área, achando que seria tudo muito fácil: era só comprar por um e vender por dois. Ledo engano! Tive que aprender a conviver com o fato de que não tinha mais uma data fixa para receber um salário e que a minha organização financeira, da forma como eu conhecia até então, não fazia mais sentido. Passei a não saber quando e nem quanto iria receber, pois dependia 100% das vendas e também entendi que uma compra só termina quando um cheque pré-datado compensa e não quando o cliente sai da loja com a mercadoria! Levei muitos calotes e comecei a me descontrolar financeiramente, passando a dever para fornecedores, bancos, cartões de crédito, aluguel e, claro, minhas contas pessoais também ficaram inadimplentes. Acabei fechando a loja e me vi diante de uma dívida praticamente impagável, cerca de 150 mil dólares na época (2001). Mas quando decidi que iria recuperar meu nome e colocar um fim àquela situação, comecei a planejar como iria negociar, a aprender como os bancos trabalham, como usar bem o meu tempo e o que podia transformar em dinheiro para sair daquela realidade o quanto antes. De toda essa experiência nasceu o método Bolsa Blindada, primeiramente com o blog (www.bolsablindada.com.br) e depois com os livros, canal no YouTube e programas de rádio e TV. Empreender é isso: fazer dos limões uma limonada!

Você também aborda no livro a relação empreendedorismo versus relacionamento afetivo e também a maternidade. Como empreender sem deixar os relacionamentos em segundo plano?
Vejo o empreendedorismo como um estilo de vida, mas não como o significado da vida. Com isso, não faz sentido ser bem-sucedida nos negócios e na carreira profissional, mas não ter a mesma performance em outras áreas como a familiar e a afetiva. Creio que ninguém ouviu falar sobre que as últimas palavras de um grande executivo à beira da morte foram: “gostaria de ter passado mais tempo na minha empresa”! Geralmente o que se lamenta numa hora dessas são coisas como não ter visto os filhos crescerem, não ter tido um casamento feliz etc. E eu creio que não precisa ser assim. Acredito piamente que nós podemos ser felizes em todos os aspectos e que esse é o significado de uma vida plena, por isso, fiz questão de reservar um capítulo inteiro para tratar de empreendedorismo e relacionamento e outro sobre empreendedorismo materno. Nós, mulheres, temos o poder de conciliar várias coisas ao mesmo tempo, o que necessitamos é aprender a trabalhar simultaneamente em todas as áreas da vida e não apenas em uma.

Quais são as mulheres que te inspiram?
Quando penso em pessoas inspiradoras raramente me vêm à mente mulheres super famosas, ricas ou com uma carreira invejável. Ao contrário, penso em várias mulheres que lutam diariamente no anonimato, que não se abatem e nem se importam com a opinião de terceiros. Para ser bem honesta, com toda essa ditadura do “politicamente correto”, muitas pessoas deixaram de ser quem são e, embora não tenham mudado suas opiniões, acabam por omiti-las para não correrem o risco de ferir susceptibilidades e deixarem de ser amadas. O que me inspira é a coragem de vencer as próprias limitações, como é o caso da minha amiga Cristiane Cardoso, autora do best-seller Casamento Blindado. Nos conhecemos em 2004, em Londres, e pude acompanhar algumas de suas lutas interiores, como vencer sua timidez fora do comum. Quem a vê hoje, apresentando programas de TV, não acredita quando descrevo o momento em que fomos apresentadas: a timidez era tanta que ela se posicionou atrás do marido e estendeu a mão sem me olhar nos olhos, com o rosto todo vermelho e visivelmente desconcertada! Uma mulher linda, alta e com um cabelo fabuloso se sentiu diminuída diante de mim, uma pessoa mais do que comum, com um metro e meio de altura! Ver sua mudança hoje e o quanto seu trabalho tem alcançado milhões de pessoas é algo que realmente inspirador.