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Entrevista

Raio X – Alê Abreu

Logo após a indicação ao Oscar, cineasta fala sobre pressentimento de que ‘O Menino e O Mundo’ seria um dos candidatos à estatueta mais cobiçada do universo do cinema

Entrevista

Raio X – Alê Abreu

jenniffer.hoche • 01 de fevereiro de 2016 • 16h39

Como foi o exato momento em que você soube que estava concorrendo ao Oscar?

Eu estava fora de São Paulo, descansando na Serra da Mantiqueira; assisti o anúncio dos indicados ao Oscar ao vivo pela internet. Sempre achei que seria pouco provável; só um milagre traria essa indicação… Mas na manhã daquela quinta-feira eu acordei com a sensação de que a gente seria indicado. Intuição mesmo. Nossas chances eram realmente pequenas, eu não achava que fosse rolar. Só que na manhã do anúncio dos indicados eu acordei com esse sentimento de que nós estaríamos na lista. Não sei explicar. Acho que foi o banho de lavanda do final do ano (risos).

 

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Alê Abreu em coletiva de imprensa em São Paulo, um dia após o anúncio dos indicados ao Oscar

 

E como você pretende assistir a cerimônia do Oscar?

Talvez eu vá para a Serra da Mantiqueira assistir na internet de novo (risos). Meu pensamento do dia da indicação até a entrega do prêmio é de que nós temos chance: eram 16 pré-indicados e conseguimos ficar entre os cinco. O grande desafio agora é fazer o filme ser mais visto. As produções dos grandes estúdios estão na boca do povo porque são exibidos em grande escala.

 

O Menino e O Mundo foi lançado em quantos países?

80, mas o país em que ele teve o melhor desempenho foi na França. Ele ficou sete meses em cartaz por lá e agora estão trabalhando para transformar em um série.

 

Um filme de animação brasileiro indicado ao Oscar ajuda o cinema de animação daqui a ter mais visibilidade?

O Menino e O Mundo já tem corrido o mundo, principalmente depois dos prêmios em Annecy (maior festival de animação do mundo, onde o filme recebeu os dois principais prêmios). Em entrevistas que fiz por lá, muita gente me perguntava o que mais estava acontecendo no Brasil em cinema de animação, ficavam realmente interessados. Eu vejo a animação brasileira como uma construção feita por muitos braços, de diversos colegas animadores.

 

Qual é o diferencial da animação brasileira?

Acredito que o nosso diferencial seja a vontade desde sempre de criar a nossa própria animação. O brasileiro nunca quis ser uma mão de obra barata para grandes estúdios, fazer os filmes dos outros. Eu mesmo tive chance de submeter meu trabalho à Disney e não fiz isso porque eu acredito nos meus filmes, acredito no que é feito aqui.

 

 

Fazer animação no Brasil é…

… uma grande busca pela nossa essência. O cinema de animação norte-americano, francês ou japonês é forte hoje porque eles encontraram a essência deles. E não adianta copiarmos.

 

Com quantos anos você começou a pensar em trabalhar com animação?

Aos 13. O que é ótimo, pois pude trabalhar com pessoas de quem era fã e ajudar a construir o que a animação brasileira é hoje. E agora eu recebo mensagens de colegas, principalmente dessa geração mais nova do cinema, dizendo que tem o meu trabalho como uma referência.

 

Quais foram suas primeiras inspirações para O Menino e O Mundo?

Ele nasceu de uma paixão que eu tive pelas músicas de protesto dos anos 1960 e 1970. Eu estava fazendo um documentário sobre a América Latina e mergulhei em um ano de muita pesquisa. Só que depois de um tempo eu encontrei esse personagem, fiz o desenho e comecei a trabalhar em uma história de ficção em cima dessas referências. Com a animação eu senti que era mais fácil representar a realidade do que se fizesse um documentário de fato.

 

Quais são seus próximos projetos?

Esse ano eu pretendo focar completamente no meu novo longa-metragem, que se chama Viajantes do Bosque Encantado.