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Entrevista

Rick Bonadio: “é possível viver de música no Brasil, sim”

Produtor musical e jurado do X Factor Brasil lança seu livro e fala sobre o mercado musical brasileiro

Entrevista

Rick Bonadio: “é possível viver de música no Brasil, sim”

jenniffer.hoche • 05 de dezembro de 2016 • 10h15

Sua primeira vez em um estúdio não foi atrás da mesa de som, mas em frente ao microfone. Como é olhar para trás e ver que essa “mudança de lado” rendeu tantos frutos?

Sabe quando você fica triste porque algo deu errado mas depois descobre que foi melhor? Hoje vejo bem dessa forma, mas na época fiquei triste por não ter dado certo como artista. O fato de muita coisa ter me tirado dos palcos fez com que eu me dedicasse muito ao trabalho como produtor pois meu sonho era trabalhar com música. Os resultados e sucesso como produtor, compositor e empresário foram muito maiores e mais gratificantes do que qualquer sucesso que eu poderia te feito como artista.
Você acompanhou de perto a transição do vinil para o CD e do CD para o digital. Como a forma de fazer música mudou para acompanhar a forma de consumir música?

Na época do vinil para o CD não mudou muito. Apenas a gente passou a ouvir no produto final um som exatamente igual ao que tirávamos no estúdio. O vinil tinha muitas limitações técnicas e era sempre uma surpresa ouvir o trabalho depois que voltava da prensagem. Já no digital a vida do produtor mudou muito. Hoje a gente precisa ser ágil, o álbum completo muitas vezes dá lugar ao EP e por isso é necessário mais criatividade e objetividade para criar coisas mais impactantes sempre. Tudo é musica de trabalho!
Você nasceu na zona norte de São Paulo e abriu seu estúdio na mesma região. Como é a sua relação com São Paulo, em especial com a famosa ZN?

Eu amo São Paulo e a ZN. Já morei no Rio e em Miami mas me sinto em casa de verdade quando estou em Santana. Gosto muito de ir a shows no Bexiga, de passear nos Jardins e na Paulista, de andar nos shoppings, de correr na avenida Braz Leme aqui na ZN, de assistir jogos do Palmeiras no Allianz, de viver discretamente e ter muitos amigos. São Paulo pra mim sempre foi uma cidade de oportunidades. A maior na minha opinião nesse sentido, e se for na música mais ainda.
Sua experiência com os Mamonas Assassinas certamente foi marcante. Como era trabalhar com Dinho e companhia?

Eu era muito jovem e era quase um brincadeira. Diversão o tempo todo. A gente fazia música, tirava som sem absolutamente nenhum compromisso de vender ou agradar esse ou aquele público. Isso fez diferença e as pessoas sentiram isso no disco. A naturalidade dos arranjos e das letras receberam uma identificação imediata.
Você trabalhou com bandas importantes do rock nacional: além dos Mamonas, Charlie Brown Jr. e CPM22. Como você vê a produção do rock no Brasil hoje em relação àquela época?

Hoje o rock é mais “alternativo”, deixou de ser popular. Muitas bandas tem feito rock influenciadas por bandas inglesas o que não é bom para o gênero no Brasil. O rock precisa voltar a ter a alma brasileira e a alegria e energia que o nosso público gosta. Cantar tristezas com melodias melancólicas não está ajudando muito.
O X Factor Brasil não é o seu primeiro reality show musical; o Popstars, que revelou Rouge e Br’Oz, é inesquecível. Como foi participar desses processos?

É sempre um aprendizado, mas também um grande risco. O público não imagina o que acontece dentro do reality. Posso dizer que não é fácil e que a vida muda depois de cada programa. No meu livro eu falo muito sobre essas situações.
Para você, o que é o “x factor”? O que faz um artista se diferenciar dos demais?

A personalidade e a estrela. Alguns são predestinados mesmo.
Que dica você daria para quem quer trabalhar com música, seja em frente ou atrás dos microfones?

Prepare-se, estude muito, seja melhor a cada dia e acredite. É possível viver de música no Brasil sim e ser feliz.

Por Carolina Porne