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Entrevista

Ira! apresenta novo projeto acústico

Para comemorar o Dia do Rock (13/07), conversamos com Nasi, vocalista do Ira!, sobre seu novo projeto ao lado de Edgard Scandurra, o Ira! Folk

Entrevista

Ira! apresenta novo projeto acústico

jenniffer.hoche • 04 de julho de 2016 • 17h02

Como foi a elaboração do projeto Ira! Folk?

Nossa ideia com esse show era ocupar espaços que bandas de rock geralmente não ocupam, como teatros. Nós já havíamos tido uma experiência bacana no Acústico MTV, mas o Ira! Folk é um acústico mais minimalista. Quando fizemos o Acústico MTV nós tínhamos piano, percussão, baixo… Agora estamos apresentando as músicas de uma forma mais original, apenas com voz e violão. Estamos desnudando a canção, para que sobre de forma pura e bruta a melodia, a letra e a harmonia. E estamos fazendo isso paralelamente ao nosso show de rock; é uma apresentação bem diferente de tudo que eu e o Edgard (Scandurra) já fizemos. Claro que já havíamos apresentado essas canções algumas vezes na voz e violão, principalmente nas famosas “palinhas” dos programas de televisão e rádio, mas isso nunca tinha sido levado ao palco em uma apresentação do começo ao fim.

 

Qual a diferença de estar no palco em um show minimalista, comparado aos grandes shows do Ira!?

O silêncio. No silêncio você ouve mais a si mesmo e ao público; nós ouvimos mais o canto do público, sentimos mais o que eles estão sentindo. Isso é bem diferente em um show de rock, onde existe um barulho intenso de ambas as partes. Nesse show a gente percebe mais sutilmente o que o público canta mais, momentos em que as pessoas se emocionam. Somos “profissionais do barulho”, então esse momento João Gilberto é bem diferente para a gente (risos).

 

Como foi a escolha do repertório para essas apresentações?

Escolhemos músicas que ficassem mais propícias a isso, mais líricas. As canções do nosso repertório que são à base dos riffs de guitarra talvez não se encaixassem tão bem. Mas claro que existem exceções, como, por exemplo, “Dias de Luta”: ela é reconhecida pelo riff do começo, mas na sua nova versão ganhou até ares de flamenco. Praticamente todos os sucessos do Ira! estão nesse show, mas também muitas canções lado B, que não foram singles e nem tocaram na rádio. São músicas mais delicadas, as chamadas baladas, como “Tolices”, “Mudança de Comportamento” e “Boneca de Cera”. O Ira! é reconhecido por ser uma banda de rock contundente, mas que ao mesmo tempo também tem algumas músicas de um romantismo lírico. Geralmente no Brasil ou uma banda é mais romântica ou é mais agressiva, mas eu acho que o Ira! transita bem entre esses dois lados. Isso certamente nos ajuda a ter um material muito rico para seleção.

 

E nesse momento é possível justamente ver como vocês transitam entre esses dois estilos de rock, já que vocês estão trabalhando as duas turnês…

Exatamente. E nesse ponto é bom ter uma discografia como a gente tem. São 13 álbuns, desses 11 foram de músicas inéditas, então temos tranquilamente uma centena de músicas para escolher para as duas vertentes de show. Em nosso show mais elétrico também estamos experimentando algumas canções lado B, como estamos fazendo no Ira! Folk.

 

O que é o rock para você?

Rock é mais do que um gênero musical, é uma maneira de ver a vida. Ele é importante em diferentes fases da nossa vida; hoje eu tenho 54 anos e não ouço mais tanto rock quanto eu ouvia quando era garoto. Acho que o rock é um estilo de música que, como poucos, é trilha sonora para todas as mudanças de comportamento e insatisfações típicas da juventude.

 

Mas existe algum artista que você ouve desde garoto e continua ouvindo até hoje? Que se tornou sua referência musical?

Ah, tem vários, mas vou citar The Clash, Led Zeppellin e Johnny Cash.

 

E quais artistas te inspiram hoje frente a um projeto novo como o Ira! Folk?

Vou citar o Johnny Cash de novo! Existe uma série de discos dele chamada American Recordings; foi feita bem no final da vida do Cash. Uma das músicas desse trabalho é uma versão de “One”, do U2, em voz e violão. É uma música que nos estamos acostumados a ouvir com a sua roupagem, com a voz do Bono Vox, mas que quando escutamos na voz do Johnny Cash e acompanhada apenas de voz e violão você acaba jurando que essa música é dele! (risos) Ele consegue dar tanta personalidade na interpretação que toda uma banda fica em segundo plano depois desse impacto. Isso é um exemplo legal de coisas que nós estamos buscando atingir com o Ira! Folk, tentar desnudar a música de maneira que ela apareça dessa forma prima e tenha uma beleza maior até do que a original, executada pela banda completa.

 

Já que você se definiu como um “profissional do rock”…

(Risos) Eu disse isso, mas acho que sou mesmo é um amador do rock. Não apenas por amar o rock, mas eu acho que um artista nunca pode perder seu lado amador. Acho melhor dizer que sou um amador profissional do rock.

 

Ok, então “amador profissional do rock”! Sendo assim, que dica você daria para quem também quer se tornar um?

Nunca perder certas inocências e nunca fazer algo em que você não acredita. Só assim você vai realmente amar o que faz.

 

Entrevista: Carolina Porne