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Entrevista

Sobre contar boas histórias

Autores de O Guia Completo do Storytelling, Martha Terenzzo e Fernando Palacios falam sobre a metodologia que vem despertando o interesse dos mais diversos profissionais

Entrevista

Sobre contar boas histórias

jenniffer.hoche • 12 de janeiro de 2017 • 09h03

Que tipo de profissional tem se interessado mais pelo storytelling?

Gostamos de tratar o tema além da técnica ou ferramenta. O modelo de comunicação pode ser usado para resolver diversos problemas de marcas, carreiras e ser adotado como gestão. Por isso chamamos de metodologia, pois desenvolvemos um modelo autoral de aplicar e para diversos usos, desde a mais simples atividade como roteirizar um vídeo no YouTube até criar uma plataforma de entretenimento para a marca. Assim, temos desde alunos de Comunicação, Jornalismo e conteudistas a fundadores de empresas, CEOs de empresas, gestores de marketing, produtores de vídeos. E temos uma diversidade interessante, por exemplo, já tivemos dentistas e médicos buscando nosso curso, para poder contar histórias para seus pacientes e da sua própria empresa. Quem procura o tema tem mais do que um perfil, mas ele é sempre aberto a inovação e curioso em relação ao tema.

 

Como foi o processo de pesquisa e elaboração do livro?

A maior motivação foi a ausência de uma obra completa sobre o tema. Foram mais de quatro anos pesquisando o tema em várias línguas como inglês, espanhol e francês. Nossa bibliografia original de leitura conta com mais de 35 páginas e aproximadamente 900 livros lidos, sem contar artigos, matérias e pesquisas acadêmicas necessárias para embasar o modelo de Comunicação que criamos. Ao iniciar o livro nos deparamos com uma grande dificuldade: o que abordar prioritariamente para o público brasileiro sendo ele tão diverso? Escrever a dois foi uma tarefa complexa por que nós os autores temos uma linguagem distinta ainda que complementar. Portanto um lia o que o outro escrevia e isso demandou tempo, paciência e aprendizado a dois para a construção de uma obra séria e ao mesmo tempo de fácil assimilação. Nossos cursos também trouxeram muito feedback sobre esse tema e isso nos ajudou na construção. Costumamos dizer que esse livro é feito a muitas mãos, cada aluno que participou dos cursos e clientes que nos contratavam vinha com ideias e propostas de conteúdo.

 

Saiba mais:

Fnac Goiânia: Martha Terenzzo e Fernando Palacios lançam O Guia Completo do Storytelling em janeiro

 

No livro vocês traçam alguns paralelos entre os mundos do entretenimento e dos negócios. Como um universo pode influenciar o outro?

O storytelling existe desde os nossos primórdios. Nas cavernas, contávamos histórias para entreter as crianças enquanto os homens lutavam nas florestas em busca de comida. O entretenimento é a base da história, com ela pode vir a lição aprendida, a moral da história e o conhecimento sobre fatos, mas ela só é absorvida se sua audiência estiver atenta, e ela só fica atenta quando entretida. Abordamos a importância de consumir entretenimento para aprender a trabalhar com Storytelling. Nós damos exemplos desde contos de fadas, fábulas, séries famosas de TV, novelas, filmes, música e literatura. Não há como dissociar storytelling do entretenimento. Mesmo quando trabalhamos memória corporativa há um trabalho de entreter os funcionários na elaboração de cada etapa histórica para que seja contado de forma atrativa. Não é porque é sério que tem que ser chato; essa é uma afirmação nossa que insistimos em levar a público. Tudo pode ser mais leve e interessante, mesmo sendo cientifico e sério.

 

Qual foi a melhor história que já ouviram? E a que contaram?

Nossa, temos muitas histórias para contar! E acho que uma que despertou interesse em todos foi do Sr. Julio Okubo que chegou ao Brasil no segundo navio de imigração japonesa, com sua mãe, Sra. Rosa Okubo, que trouxe a primeira pérola para nosso país e vendeu um anel para alimentar seus filhos. Até hoje, com mais de 90 anos, o Sr. Julio gosta de perfurar cada pérola a mão e sem óculos. Essas histórias de família nos emocionam e são maravilhosas, pois inspiram e ensinam. Contamos essa história no livro também. Acho que a história que contamos sobre nós dois autores é legal, como nos conhecemos (via Twitter) e nossa inicial antipatia um pelo outro. Foi cômico. E depois nossa construção de uma empresa que faz 10 anos e segue com excelente reputação. Além do livro construímos uma história a dois que… bom, para saber mais você tem que marcar um café com a Martha ou Fernando ou ler o livro!

Por Carolina Porne

Foto: Dayana Molina (Fnac Paulista)