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Entrevista

(Trans) Gênero literário

Autor de ‘A Garota Dinamarquesa’, fala sobre o processo de pesquisa para o livro que virou filme e afirma: mais do que uma história sobre sexualidade, trata-se de uma história de amor

Entrevista

(Trans) Gênero literário

jenniffer.hoche • 02 de março de 2016 • 07h30

Como foi o momento em que você decidiu contar a história de Lili Elbe?

Muitos anos atrás eu li algo curto sobre ela e quis saber mais sobre essa pioneira, de onde ela tirou coragem para tomar a decisão que tomou e porque a história basicamente a esqueceu. Sua vida me inspirou.

 

Como foi o processo de escrita de A Garota Dinamarquesa?

Eu li tudo o que pude sobre Lili,seus diários e entrevistas para jornais. Eu estudei a sua arte e também as obras criadas por sua esposa, Gerda, especialmente os retratos que esta fez de Lili, que revelavam toda a sua profundidade e complexidade. Também viajei para os lugares onde Lili e Gerda viveram: Copenhague, Paris e Dresden. Mais importante do que tudo isso, eu refleti muito sobre a força interior que ela deve ter tido para se transformar no seu verdadeiro eu. O amor delas também me inspirou, o ato de aceitar as pessoas que amamos como são. A Garota Dinamarquesa é mais do que uma história sobre a busca de identidade; é uma história de amor.

 

O livro foi originalmente lançado em 2000. Como foi lançar um livro com uma história assim naquele momento e qual a diferença de lançá-lo agora?

Naquela época ainda não existia grande interesse em histórias com personagens transgênero – muitos leitores pensavam, erroneamente, que esse era um assunto irrelevante para suas vidas. Agora mais pessoas conseguem perceber que a história de Lili Elbe é universal de diferentes maneiras. Todos nós precisamos ter coragem de ser quem somos, de lutar pelo que acreditamos. Todos nós precisamos aprender a amar sem colocar tantas condições. Foram por essas razões que escrevi A Garota Dinamarquesa.

 

Qual foi sua reação ao saber que a história de Lili viraria um filme?

O filme esteve em desenvolvimento por 15 anos. Quando eu visitei o set de filmagem, em Copenhague, tive a sensação de que algo muito especial estava diante dos meus olhos. Muitas das locações em Copenhague foram locais que eu visitei durante a pesquisa para o livro. Eu mal pude acreditar que estava lá de novo, mas em uma situação totalmente nova.

 

O que achou da escolha de Eddie Redmayne para o papel?

Eddie fez uma interpretação extraordinária, tanto que foi indicado a diversos prêmios. Ele passou muitos meses se preparando para o papel, fez uma longa pesquisa e se encontrou com mulheres transgênero. Para trazer Lili Elbe à vida ele derramou todo o seu talento e construiu um retrato belíssimo.

 

A transexualidade é um assunto que tem sido cada vez mais discutido. Após lançar A Garota Dinamarquesa, pessoas entraram em contato com você porque se identificaram com a história?

Sim, eu recebi e recebo mensagens de leitores do mundo inteiro. Essa é a melhor parte de ser escritor; saber que suas palavras e a sua história tocaram outra pessoa tão intimamente. Muitas pessoas se identificam com o desafio de Lili em se tornar quem de fato ela sempre foi. Outras se identificam com sua transição de gênero, e ainda outras se identificam com o amor que Gerda sente por ela. Leitores diferentes se identificam com elementos diferentes da história. É sempre fascinante ouvir o que os leitores têm a dizer.

 

Quando você decidiu se tornar escritor?

Eu tinha 15 anos. Foi quando eu passei a apreciar o mundo dentro da minha cabeça tanto quanto o mundo do lado de fora da janela.

 

Entrevista: Carolina Porne