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O poetinha

Afirmar que Vinícius de Moraes foi um dos maiores poetas brasileiros é diminuir sua importância no cenário cultural nacional. Ele também foi escritor, jornalista, dramaturgo, compositor e diplomata. Seus textos passaram pelo teatro e pelo cinema. Fez parcerias com grandes nomes da música nacional e foi um dos nomes que consolidaram a Bossa Nova. O […]

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O poetinha

Juliana Jaqueline • 21 de março de 2013 • 14h57

Afirmar que Vinícius de Moraes foi um dos maiores poetas brasileiros é diminuir sua importância no cenário cultural nacional. Ele também foi escritor, jornalista, dramaturgo, compositor e diplomata. Seus textos passaram pelo teatro e pelo cinema. Fez parcerias com grandes nomes da música nacional e foi um dos nomes que consolidaram a Bossa Nova. O apelido de “poetinha” foi dado a Vinícius por ninguém mais e ninguém menos que Tom Jobim, seu amigo e parceiro artístico.

Nascido em 1913, no Rio de Janeiro, logo na infância já demonstrou aptidão artística, ingressando no coral e no teatro. Antes mesmo de entrar na faculdade, já fazia composições e apresentava-se em festas de amigos. Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tornou-se amigo do romancista Otavio Faria, o que incentivou sua vocação para a literatura.

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…”

Ao final da década de 20, já havia produzido dez canções e lançado seu primeiro livro de poemas, O Caminho para a Distância”. Ao longo dos anos seguintes sua obra foi aumentando, com novos livros de poemas e canções. Em 1935, recebeu o Prêmio Felipe D’Oliveira pelo seu livro “Forma e Exegese”. Atuou com o crítico de cinema e jornalista em diversas publicações, tendo inclusive lançado sua própria revista, a “Filme”.

A parceria mais famosa e longeva de Vinícius foi com o pianista e compositor Tom Jobim. Os dois artistas se conheceram em 1955, quando o poeta procurava alguém para musicar sua peça “Orfeu da Conceição”. Uma indicação de um amigo em comum o levou a trabalhar com um jovem pianista que vivia de música na área boêmia do Rio de Janeiro. A parceria mudou não só as carreiras de ambos, mas de toda a música brasileira, com a composição de belas canções que tornaram-se clássicos.

O ano de 1958 ficou conhecido como o início de um dos maiores e mais importantes movimentos da música: a Bossa Nova. O álbum “Canção do amor demais”, de Elizeth Cardoso, foi a pedra fundamental do movimento e contava com diversas canções de autoria de Vinícius e Tom Jobim: “Luciana”, “Estrada Branca”, “Outra vez” e “Chega de saudade”. Esta última música ainda foi responsável por apresentar ao mundo João Gilberto, que trouxe ao mundo uma nova maneira de tocar violão e foi crucial para a popularização da Bossa Nova internacionalmente. Outros parceiros importantes foram Carlos Lyra, Baden Powell, Ary Barroso, Elza Soares, Chico Buarque e Pixinguinha. Suas composições com grandes nomes da música brasileira renderam homenagens diversas pelo país.

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste…”

Na música, seu segundo grande parceiro foi o violonista Toquinho. Lançaram diversos álbuns juntos, todos considerados clássicos. Daí surgiram músicas como “Como dizia o poeta”, “Tarde em Itapoã” e “Testamento”. Em 1970, Vinícius apresentou-se no Canecão, no Rio de Janeiro, com Tom Jobim, Toquinho e a cantora Miúcha. O sucesso do show foi tamanho que ficou um ano em cartaz.

O grande tema de seus poemas era a paixão. Ele parecia ter uma necessidade de estar apaixonado, mas ao mesmo tempo, um medo dos laços que as relações criavam. Tudo era intenso e deveria ser aproveitado ao máximo. No final das contas, o grande amor de Vinícius de Moraes foi a própria vida.

Sua boemia era famosa, era um fumante inveterado e apreciava beber uísque. Considerado um grande conquistador, casou-se nove vezes. Faleceu em 9 de julho de 1980 e seu legado artístico ainda é referência no Brasil e no mundo.

“Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais…”

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