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Para sempre Monteiro Lobato

Monteiro Lobato é o pai da Literatura Infantil Brasileira e a data do seu aniversário se tornou o Dia Nacional do Livro Infantil. Saiba mais sobre a vida e a obra deste autor tão importante.

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Para sempre Monteiro Lobato

jenniffer.hoche • 06 de maio de 2015 • 15h09

Por Beatriz Saghaard

Monteiro Lobato é o pai da Literatura Infantil Brasileira, um dos maiores escritores do gênero no mundo e o mais citado escritor no Brasil. Influenciou e influencia há mais de 90 anos todas as gerações de brasileiros. Sua importância é tão relevante que o Dia Nacional do Livro Infantil foi marcado na data de seu nascimento, 18 de abril.

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Encantador e ao mesmo tempo polêmico, deixou uma obra numerosa e brilhante que jamais deixará de estar viva na literatura brasileira e no imaginário das crianças e adolescentes.

Com o apoio da Biblioteca Monteiro Lobato – maior acervo do autor – conversamos com Oiram Antonini, mediador de leitura e curador do Acervo Monteiro Lobato. Confira abaixo um pouco sobre a vida e obra desse grande mestre das letras.

Qual é a importância da obra de Monteiro Lobato para a literatura infanto-juvenil?
Monteiro Lobato praticamente é o Pai da literatura infantil brasileira, um dos maiores escritores do gênero no mundo e o mais citado escritor no Brasil. Influenciou e influencia há mais de 90 anos todas as gerações de brasileiros, não há quem não ouviu falar dele. Não é o acaso que fez de 18 de abril, data de seu nascimento, o Dia Nacional do Livro Infantil.

Como se formou e quais são as influências de sua obra?
Lobato quando criança ouvia muita contação de histórias e casos, foi alfabetizado muito cedo pela mãe. Ler e escrever foi sempre seu divertimento predileto; além de observar com muito cuidado seu entorno, a natureza e a vida simples do interior paulista (Taubaté), onde os infinitos riachos em que brincava vieram a tona em sua obra como ‘Reino das Águas Claras’. A influência de suas idéias vem da Literatura Universal a que tinha acesso: Fábulas de La Fontaine; Andersen; Grimm; literatura Grega, e outros que integram sua obra. Ao viver em São Paulo, conheceu a cidade de meio milhão de habitantes; morando em vários lugares e nela viveu por mais da metade de sua vida.

O universo retratado em suas obras são os vilarejos enfraquecidos e a população do Vale do Paraíba, no contexto da crise do café. Essa missão social sempre foi presente em seu trabalho?
A visão de um homem vivido no campo fez-lhe criar o Sítio, personagens, conceitos e seu escopo de vida, retratar sua esperança para jovens, pois nos adultos havia perdido a fé. ‘Cidades mortas’, ‘Onda Verde’ e ‘Negrinha’ são livros que retratam esse meio no seu período decadente e miserável (1900 a 1920). Sua obra mostra contradições do campo e da cidade, a natureza rural e a vivência urbana e cria interpretações através da ficção. A fonte do sítio são as águas do Buquira que deram vida ao escritor que nascia.

Qual a é a contribuição de sua obra Urupês (1917) para o modernismo brasileiro?
Em Urupês esta seu personagem mais ‘mítico’, verbete de dicionário que há mais de cem anos transforma seu valor e itinerário. O JECA é o astro de Urupês, um tipo que até hoje encontramos nele e em nós mesmos. O Jeca de Lobato que fez campanha em prol da saúde e do saneamento, semeou ideias, foi criticado, criou o Jeca Tatuzinho… será que o jeca morreu; como vive hoje? Com esse livro de contos, quase todos publicado pela Revista do Brasil, o já reconhecido Jornalista, torna-se um nome respeitado no meio literário. Citado por Rui Barbosa, faz-se famoso, funda editora e publica-se. Oswald de Andrade o considerava precursor do modernismo. Lobato opunha-se a experimentos exóticos com ares europeus, acreditava na cultura brasileira. Em sua editora publicaram-se os modernistas. Sem dúvida, a sua não interferência na Semana de 22, a fez maior ainda, mais significativa e livre.

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Quais são suas obras e personagens mais relevantes para o folclore?
O primeiro livro publicado por Monteiro Lobato é um exercício coletivo em busca da mitologia popular, curiosamente edita-o sem autoria, atribuindo o trabalho à pesquisa no Estadinho, suplemento do jornal o Estado de São Paulo em 1917, sobre o SACI. O ‘folclore’ esta presente no resgate no resgate incessante que realiza em sua obra infantil, em particular nos livros “ O SACI ,e Histórias da Tia Nastácia” onde esta a herança da oralidade brasílica, histórias que as crianças adoram ouvir.

Em 1929 Monteiro lança a histórias do Sito do Pica Pau Amarelo. Essa obra é a grande referência de seu trabalho e é presente no imaginário de muitas gerações. O que destacaria como os principais motivos para esse sucesso?
Em 1929, no livro ‘Circo do Escavalinho’, transformado em capítulo de Reinações de Narizinho, é que ele batiza o Sítio do Pica Pau Amarelo, antes conhecido com Sítio de Dona Benta. A saga, o universo do Pica Pau Amarelo adentra o imaginário do povo brasileiro e seu sucesso, creio que o que seja de colocar duas crianças; Narizinho – 8 anos e Pedrinho – 9 anos, como protagonistas das mais diversas aventuras. E duas pessoas mais velhas, mulheres portadoras da sabedoria e da experiência, navegando do culto ao popular,; Tia Anastácia- 66 anos e dona Benta 64, comandando o espetáculo. Neste prisma criam-se personagens reais que convivem com animais falantes e pensantes; Marques de Rabicó, Vaca Mocha, Burro falante, que participam das situações mais embaraçosas e divertidas a discutir as situações e temas propostos com a boneca que fala, só o que quer e sente, e um mestre da mais pura raiz brasileira, feito de milho e nomeado Visconde. Emília e o Visconde de Sabugosa são os porta vozes desse legado. Confeccionados pelas mãos de Anastácia transportam as crianças e todos nós para dentro de um sitio onde cabe todo mundo. Emília é o personagem mais visionário de Lobato, conhecida por todos nós é quem dá pilha ao nosso imaginário. Em ‘Memórias de Emília’ encontramos a essência da personagem central desse universo. Sua obra carrega um valor moral, uma ética e uma alegria que encanta tantas gerações, não só sobrevive, como se multiplica em várias linguagens e se amplia diante da perspectiva de sua breve transformação em domínio publico. Tempo em que todos poderão reencantá-la livremente como o autor sempre desejou.

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A personalidade polêmica de Lobato o prejudicou em algum momento?
Sem dúvida a personalidade de Lobato, sua independência criaram-lhe obstáculos, tanto em relação à política, quanto a economia e a religião. Polemista nato, até hoje, mesmo morto suscita discussões em todos os níveis da sociedade. Pelo petróleo foi preso na ditadura Vargas. Foi um incansável batalhador da liberdade, afirmava que ideia perseguida era ideia propagada. Mais polêmico ainda o lema que sempre apregoou: Queres me seguir, segue-te.

Como foi a fundação e qual é a principal função da Biblioteca Monteiro Lobato?
Originalmente constituída em 1936 como Biblioteca Infantil Municipal, foi concebida no âmbito da visão sistêmica de cultura elaborada por Mario de Andrade á frente do Departamento de Cultura de São Paulo. Tornou-se Biblioteca Monteiro Lobato após sua morte. Abriga o melhor acervo sobre o escritor, atende pesquisadores de todo país, mantém exposições permanentes sobre a obra e a vida do escritor. Tem como missão fomentar a leitura prioritariamente para crianças e jovens.

Qual foi a importância das ilustrações de Augustus na obra de Monteiro Lobato?
Augustos foi o capista das Obras Completas da série infantil de Monteiro Lobato. No final da década de 1940 a Editora Brasiliense desmembrou a coleção e uniformizou as ilustrações de cada exemplar. Augustus fez as capas e Le Blanc o conteúdo.

Como avalia a atual produção da Literatura infanto-juvenil?
A produção de livros para esse público aumentou consideravelmente após a iniciativa de Monteiro Lobato, que formou esse mercado. O que cremos confuso é a classificação ‘infanto-juvenil’, na medida em que são destinatários distintos. Criança é criança e tão logo deixa de sê-lo, passa a considerar a infância desprezível, distanciando-se dela. O jovem considera-se um momento á parte que não se mescla ao infante e dele procura distanciar-se. Não considero o termo adequado para os dias atuais. É muito complexo avaliar um conjunto de obras para um grupo tão heterogêneo. Cabe uma reflexão sobre o tema. Lobato escreveu para todos os seres que dominem a língua e que dela possam adquirir experiência, conhecimento, deleite, diversão e assim saciar ou despertar curiosidade.

Das várias frases e pensamentos marcantes de Lobato, qual você destacaria como resumo de sua essência?
Difícil, quase impossível sintetiza-lo numa frase ou pensamento. Mas gosto deste: “ARTE DE VIVER. O FIM É NADA, O CAMINHO É TUDO”.самый игровой ноутбукghjdthrf nbw